Guarda: D. José Pereira celebra um ano de ordenação episcopal e diz que está a «aprender a ser bispo» numa diocese com «vários ritmos»

12 meses depois, responsável recorda que realidade encontrou na chegada e faz balanço do primeiro ano nesta missão

Foto: Diocese da Guarda

Guarda, 12 mar 2026 (Ecclesia) – O bispo da Guarda, D. José Pereira, celebra, na segunda-feira, o primeiro aniversário da ordenação episcopal e assume que ainda está a aprender a desempenhar esta missão.

“Alguns têm um estágio, são primeiro bispos auxiliares e depois é que vão para bispos residenciais. A mim, Nosso Senhor chamou-me a ser bispo logo e imediatamente. Estou a aprender a ser bispo. Estou a aprender a ser bispo com os padres, com os religiosos, com consagrados, com os leigos, com o povo de Deus”, afirmou, em declarações à Agência ECCLESIA.

Nomeado para o cargo em dezembro de 2024 pelo Papa Francisco, D. José Miguel Barata Pereira, que exercia a função de Reitor do Seminário dos Olivais, em Lisboa, tomou posse da Diocese da Guarda a 16 de março de 2025, naquela Sé Catedral, sucedendo a D. Manuel Felício.

Um ano depois, o bispo diocesano refere que “é muito difícil fazer avaliações” do ministério episcopal, uma vez que 12 meses são “uma gota d’água naquilo que é o mundo da diocese para descobrir”.

Destacando o bom acolhimento que recebeu, D. José Pereira relata que ainda não conseguiu visitar a maior parte das aldeias do território diocesano, realçando também o número elevado de paróquias, 360, que também ainda não conhece todas.

“O primeiro ano, os outros bispos disseram e os padres, é para a gente ouvir, é para a gente escutar, para a gente conhecer, para começar a tomar decisões. Portanto, no primeiro ano a minha opção foi, eu vou a todos os lados onde os srs. Padres me convidem para ir, desde que agenda permita. E tem sido assim”, conta.

A partir do próximo ano pastoral, D. José Pereira espera iniciar as visitas pastorais, indicando que está a começar a ouvir os arciprestes e o conselho do bispo para identificar os locais “que possa ser útil começar a ir”.

Este é um percurso que vai durar “alguns anos”, explica o bispo, lembrando que a diocese tem sete arciprestados: Covilhã/Belmonte, Fundão/Penamacor, Guarda/Manteigas, Pinhel-Figueira de Castelo Rodrigo, Sabugal/Almeida, Seia/Gouveia e Trancoso/Celorico da Beira.

Foto: Agência ECCLESIA/LJ

Questionado sobre que realidade encontrou na chegada à Guarda, D. José Pereira explica que se deparou com “uma diocese com vários ritmos” e aponta que é preciso encontrar “propostas pastorais” para cada um deles.

“Mesmo em termos de configuração das comunidades, nós não temos comunidades uniformes. Nós temos três ou quatro centros urbanos, temos várias zonas que ainda têm uma centralidade à volta de uma sede de concelho e depois muitas aldeias que ainda vêm à sede de concelho”, mencionou.

O bispo diocesano aponta ainda que outra situação com que se confrontou foi a continuidade de pessoas nos mesmos lugares e cargos durante logos períodos de tempo.

“Estamos muitos anos no mesmo sítio e isso tem a vantagem de irmos criando relação com gerações da mesma família, e isso tem a vantagem da proximidade e do acompanhamento”, começa por dizer.

No entanto, acrescenta, “tem a desvantagem da dimensão missionária se poder adormecer um bocadinho”.

Sobre a forma de responder as estes desafios, D. José Pereira nomeia a “capacidade de escutar”.

“Não é o bispo que chega cá e decide como é que se faz. Eu não trago nenhuma solução mágica. Primeiro, porque não sou mágico. Segundo, porque nem sequer cresci nesta diocese, portanto, não é o bispo que chega e diz como é que se faz”, sublinha.

O primeiro aniversário da ordenação episcopal de D. José Pereira vai estar no centro do programa ‘70×7’, transmitido este domingo, pelas 7h28, na RTP2, que aborda também a realidade do território, em quatro temas: ambiente, juventude, ensino e sinodalidade.

LJ/OC

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