Francisco elogia humildade que se opõe à «tentação do triunfalismo»

Atenas, 04 dez 2021 (Ecclesia) – O Papa encontrou-se hoje em Atenas com representantes da comunidade católica na Grécia, cerca de 1% da população do país, a quem deixou uma palavra de estímulo,

“Queridos irmãos e irmãs, tenhamos confiança, porque ser uma pequena Igreja torna-nos sinal eloquente do Evangelho, do Deus anunciado por Jesus que escolhe os pequeninos e os pobres, muda a história com os feitos simples dos humildes”, disse.

O encontro decorreu na Catedral de São Dionísio, com a presença de bispos, sacerdotes, religiosos e religiosas, seminaristas e catequistas.

Francisco foi recebido pelo arcebispo de Atenas, o jesuíta D. Theodoros Kontidis, e por D. Sevastianos Rossolatos, arcebispo emérito de Atenas e presidente da Conferência Episcopal da Grécia.

O Papa ouviu ainda os testemunhos de uma religiosa da família do Verbo Encarnado, missionária argentina, e de um leigo, que falou da vivência da fé em família.

Francisco considerou a Grécia como “património da humanidade”, sobre o qual foram “construídos os alicerces do Ocidente”.

“Em certa medida, todos somos filhos e devedores do vosso país: sem a poesia, a literatura, a filosofia e a arte que aqui se desenvolveram, não seríamos capazes de conhecer muitas das facetas da existência humana, nem responder a muitas questões interiores sobre a vida, o amor, a dor e a morte”, indicou.

O discurso destacou a importância do Apóstolo Paulo (século I) para o diálogo entre o Cristianismo nascente e o mundo helénico, inaugurando um “laboratório” para a inculturação da fé, que inspirou “crentes de todas as épocas”.

Francisco dedicou particular atenção à passagem de São Paulo pelo Areópago, relatada nos Atos dos Apóstolos, o livro do Novo Testamento que se segue aos quatro Evangelhos.

“Ele não está a viver um momento triunfal, cumpre a missão em condições difíceis. Também nós, em muitos momentos do caminho, talvez sintamos o peso e às vezes a frustração de ser uma pequena comunidade ou uma Igreja com poucas forças, que se move num contexto nem sempre favorável”, assinalou.

O Papa sustentou que a Igreja deve evitar a “tentação do triunfalismo”, de quem vive com “o espírito da conquista e da vitória, a magnificência dos grandes números, o esplendor mundano”.

“É-nos pedido que sejamos fermento que, escondido, paciente e silenciosamente leveda a massa do mundo, graças à obra incessante do Espírito”, observou.

Francisco desafiou a minoria católica a uma atitude de acolhimento, sem “querer ocupar o espaço e a vida do outro”.

“Paulo cultiva um olhar espiritual sobre a realidade: acredita que o Espírito Santo trabalha no coração do homem, independentemente dos rótulos religiosos”, precisou.

Também hoje nos é pedida a atitude de acolhimento, o estilo da hospitalidade, um coração animado pelo desejo de criar comunhão entre as diferenças humanas, culturais e religiosas”.

O Papa sublinhou a necessidade de superar as “feridas” do passado, que ainda dividem os cristãos, vivendo o Evangelho como “experiência de alegria e fraternidade”.

A comunidade católica na Grécia integra fiéis de tradições litúrgicas latina, bizantina e arménia, com grande presença de imigrantes.

Depois do encontro, o Papa regressa à Nunciatura Apostólica para uma audiência privada com os membros da Companhia de Jesus, uma tradição nas viagens internacionais.

OC

 

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