Francisco fala numa «terrível odisseia moderna»

Foto: Lusa/EPA

Atenas, 04 dez 2021 (Ecclesia) – O Papa criticou hoje em Atenas a falta de solidariedade da União Europeia na resposta à crise migratória, que considerou uma “terrível odisseia moderna”.

“Persiste a demora europeia: a comunidade europeia, dilacerada por egoísmos nacionalistas, em vez de ser motor de solidariedade, às vezes aparece bloqueada e descoordenada”, assinalou Francisco, no primeiro discurso da sua viagem à Grécia, no Palácio Presidencial.

Menos de duas horas depois de ter chegado à capital grega, vindo do Chipre, o Papa destacou o impacto desta crise na população.

“Este país, caraterizado pela hospitalidade, viu desembarcar nalgumas das suas ilhas um número de irmãos e irmãs migrantes superior ao dos próprios habitantes, aumentando assim as contrariedades que ainda padecem das fadigas da crise económica”, ilustrou.

Francisco assinalou que a questão migratória abriu brechas “entre o sul e o norte” da Europa, como acontecia anteriormente, por motivos ideológicos, entre leste e ocidente.

Desejo apelar mais uma vez a uma visão de conjunto, comunitária, face à questão migratória, e encorajar a ter atenção aos mais necessitados para que, segundo as possibilidades de cada um dos países, sejam acolhidos, protegidos, promovidos e integrados no pleno respeito dos seus direitos humanos e da sua dignidade”.

O Papa defendeu uma “convivência pacífica”, com aqueles que são obrigados a fugir da sua terra, à procura “de casa e esperança”.

“São os protagonistas duma terrível odisseia moderna”, insistiu.

A intervenção recordou o impacto da pandemia, que lembrou a pertença comum à “mesma frágil humanidade”.

Falando da Grécia como a “memória da Europa”, Francisco citou o texto do juramento de Hipócrates para afirmar que a “vida é um direito”, criticando o que denominou de “cultura do descarte”, em particular relativamente aos mais velhos e às crianças por nascer.

A viagem do Papa prossegue até segunda-feira, incluindo este domingo uma passagem pela ilha de Lesbos, onde Francisco esteve, em abril de 2016, para visitar um campo de refugiados.

OC

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