Atual administrador apostólico falou à Agência ECCLESIA sobre os últimos 12 anos, referiu-se ao relacionamento com o clero e «casos particulares» de alguns sacerdotes

Funchal, 16 fev 2019 (Ecclesia) – O administrador apostólico da Diocese do Funchal, D. António Carrilho, disse à Agência ECCLESIA que os 12 anos em que foi bispo diocesano ficam marcados por “três grandes apostas pastorais” e lembrou três desastres naturais que aconteceram neste período.

Para D. António Carrilho, a visita da Imagem Peregrina de Nossa Senhora de Fátima durante sete meses, entre 2009 e 2010, a comemoração dos 500 anos da Diocese do Funchal e dos 500 anos da Catedral diocesana foram os três projetos que marcaram o seu episcopado como bispo do Funchal.

Em entrevista à Agência ECCLESIA, o atual administrador apostólico recorda a presença da Imagem Peregrina de Nossa Senhora de Fátima, que “mobilizou a diocese” e foi uma ocasião de fomentar a “união das pessoas nas comunidades”.

D. António Carrilho referiu-se depois à celebração dos 500 anos de criação da Diocese, em 2014, antecedido de três anos de preparação.

“Nós tivemos a preocupação de que os três anos de preparação e depois o ano jubilar deixasse marcas, não apenas do ponto de vista espiritual e religioso, mas culturais. E não faltaram”, afirmou.

O anterior bispo do Funchal lembrou as propostas dirigidas às paróquias, o ‘Monumento dos 500 anos da Diocese do Funchal’, com a colaboração dos emigrantes, e o Congresso que decorreu entre 17 e 20 de setembro de 2014.

“Se vamos avaliar pelos dois volumosos volumes que ficam como atas do Congresso, diremos que foi uma grande obra. Eu penso que houve muita gente a estudar a história da diocese, a deixar pistas que talvez possam vir a ser mais aprofundadas”, referiu.

D. António Carrilho valorizou também os três anos de preparação e a celebração dos 500 anos da Catedral do Funchal, em 2017, que considera a celebração de uma noção de Igreja enquanto “corresponsabilidade de todos”.

O atual administrador apostólico da Diocese do Funchal lembrou depois que, nos últimos 12 anos, aconteceram na Ilha da Madeira desastres naturais, nomeadamente as cheias de 20 de fevereiro de 2010, os incêndios em agosto de 2016 e a queda da árvore no Monte, um ano depois.

“Há aspetos por esclarecer, mas tem havido por parte da Igreja e da parte de todos um esclarecimento cabal das coisas, porque há assuntos que têm de ser resolvidos tendo em atenção questões de ordem jurídica”, afirmou o anterior bispo diocesano sobre o assumir de responsabilidades na consequência da queda da árvore, no Monte.

A propósito das cheias de 20 de fevereiro e dos incêndios, D. António Carrilho considera que os colaboradores da ação social da diocese “estiveram no terreno” e tornaram “mais visível” um trabalho do quotidiano.

A respeito do relacionamento com o clero, na Diocese do Funchal, e da organização pastoral, o anterior bispo afirma que teve a preocupação de restruturar os serviços diocesanos e organizar os encontros de arciprestados, o “encontro mensal de sacerdotes para trabalharem em conjunto e conviverem”.

D. António Carrilho admite que “nem todos estão de acordo com tudo”, respeita “posições diferentes” e valoriza a “força pastoral” de um “presbitério unido”.

“Penso que um presbitério unido é uma força pastoral importante e grande. Para isso é preciso uma proximidade e uma compreensão, porque nem todo o diálogo conduz à vontade de cada um. Temos de encontrar uma vontade comum e temos responsabilidades em afirmar e ajudar a compreender as orientações da Igreja”, afirmou.

A respeito do investimento na formação dos sacerdotes, o anterior bispo do Funchal reconhece que foi pouco, porque não existiram “muitas possibilidades” e porque considera que “é bom que os sacerdotes que vêm dos seminários tenham contacto com a realidade”.

Questionado sobre casos particulares de alguns sacerdotes, D. António Carrilho disse que serão tratados “pessoalmente”, acrescentando que “não tem faltado diálogo” e que “as soluções têm de ser tomadas dentro do que são as orientações da Igreja”.

“Dou graças pelo trabalho dos 12 anos, pelo que significou para mim, numa entrega total da minha parte ao ministério, e sinto a consciência que procurei dar o mais que poderia, com circunstâncias que limitam resultados, mas que, na verdade, foram entrega generosa da vida”, acrescentou.

D. António Carrilho falou à Agência ECCLESIA um dia antes da entrada do novo bispo na Diocese do Funchal, valorizando a “aposta” na proximidade junto das pessoas ao longo dos últimos 12 anos.

No dia 12 de janeiro, o Papa aceitou a renúncia apresentada por D. António Carrilho como bispo do Funchal, que em 2017 atingiu idade determinada pelo Direito Canónico (75 anos) para a resignação ao cargo.

O prelado foi nomeado pelo agora Papa emérito Bento XVI, em março de 2007, para suceder a D. Teodoro de Faria.

D. António Carrilho, de 76 anos, é natural da Diocese do Algarve e foi ordenado padre em 1965, tendo cumprido 12 anos ao serviço das comunidades algarvias.

Depois desse período, esteve integrado em vários serviços da Conferência Episcopal Portuguesa, em Lisboa, nomeadamente enquanto diretor do Secretariado Nacional da Educação Cristã e do Secretariado Geral.

Em 1999 foi ordenado bispo na igreja de S. Pedro do Mar, em Quarteira (Algarve), depois de ter sido nomeado para auxiliar do Porto, onde esteve durante oito anos; a 19 de maio de 2007, tomou posse como bispo do Funchal.

Tem como lema episcopal ‘Faz-te ao Largo’.

Sucede a D. António Carrilho, como 33º bispo da Diocese do Funchal, D. Nuno Brás, até agora bispo auxiliar do Patriarcado de Lisboa.

PR

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