Presidente do Conselho Pontifício para a Promoção da Nova Evangelização orientou formação na diocese dirigida a padres, leigos e consagrados

Foto: Jornal da Madeira

Funchal, 28 jan 2022 (Ecclesia) – O presidente do Conselho Pontifício para a Promoção da Nova Evangelização (Santa Sé) disse, na Madeira, que os crentes não podem ficar na “falsa segurança” dentro das igrejas e que o tempo pede um “escancarar de portas”.

“É tempo de escancarar as portas e voltar a anunciar a ressurreição de Cristo da qual todos nós somos testemunhas”, afirmou D. Rino Fisichella, durante o encontro de três dias que conduziu na Diocese do Funchal, citado pelo ‘Jornal da Madeira’.

O responsável pediu “homens e mulheres” de “olhar fixo em Deus”, com o coração disponível “de modo que o seu intelecto possa falar ao intelecto dos outros e o seu coração possa abrir o coração dos outros”, num mundo com uma “profunda necessidade de amor”.

“A certeza da esperança verdadeira é o que nos consente que não fiquemos nem numa espécie de saudosismo, que só olha para o passado, como se só ontem é que as coisas estavam no bom caminho, nem cair num horizonte de utopia, porque iludidos com hipóteses que não poderão ser correspondidas”, indicou.

D. Rino Fisichella explicou que a evangelização feita pelos leigos é essencial porque “a sua vida profissional” leva-os a uma presença “em ambientes” particulares, onde “são capazes de levar a primeira forma de humanização que, muitas vezes, é o necessário prelúdio para falar de Jesus Cristo”.

O presidente do Conselho Pontifício para a Promoção da Nova Evangelização defendeu que “não se pode fazer nova evangelização sem novos evangelizadores”.

Por este motivo, sem retórica, devemos reiterar que é necessário que os cristãos tenham nova consciência, que se tornem capazes de entrar no coração das culturas, de as conhecer, compreender e orientar para aquele desejo de verdade que pertence a cada homem e a cada mulher à procura do sentido da sua própria vida”.

O responsável reconheceu que no passado era “mais fácil transmitir o evangelho” porque os ambientes permitiam “uma circularidade na transmissão de conteúdos como uma só voz” e que hoje, o “contexto de fragmentação cultural”, “unido à pluralidade de posições e sobretudo a diversificação das linguagens, impõe uma atenção e um trabalho maiores”.

Foto: Jornal da Madeira

D. Rino Fisichella alertou para a importância de se conseguir um “diálogo geracional” através de “instrumentos capazes de tornar a evangelização dinâmica e eficaz”, sob pena de a falta de sintonia com as gerações mais jovens se tornar “um facto sério e problemático”.

A cultura digital é um campo que se impõe e onde o Evangelho necessita de “inculturação”, indicou, também pela “oportunidade de diálogo, de encontro e de intercâmbio entre as pessoas, além de ser um acesso à informação e ao conhecimento”.

Para o colaborador do Papa, “este é um desafio a não perder”, devendo os cristãos fazer uma pergunta: “A verdadeira questão que devemos colocar-nos diante desta nova cultura não é como utilizar as novas tecnologias para evangelizar, mas como nos tornarmos uma presença evangelizadora no continente digital”.

Na síntese das conquistas dos novos tempos e o que do passado importa preservar, o arcebispo italiano afirmou que o importante é “trazer o homem de volta a si mesmo”, levando-o a compreender “a sua responsabilidade em relação ao mundo e à natureza”.

No encontro de formação, o presidente do Conselho Pontifício para a Promoção da Nova Evangelização indicou a “beleza” como um caminho “caminho privilegiado para poder pensar Deus” e lamentou aquilo que apelidou de “outono da beleza”.

“Basta olhar a construção de muitas igrejas para tocar com a mão a impossibilidade da evangelização através da via da beleza”, afirmou, lembrando as falta de “chamamento à transcendência” que se sente em muitos edifícios feitos em cimento que se “tornaram lugares para a celebração do culto sem que, todavia, permitam ao crente elevar-se, porque este fica prisioneiro de uma horizontalidade imanente sem possibilidade de fuga”.

Devolver a beleza às igrejas é, no seu entender, “um compromisso eficaz de evangelização”, afirmoando que a beleza de uma igreja e a liturgia podem ser “o caminho para uma evangelização”.

A formação foi concluída com a participação do cónego Vítor Gomes e do padre Carlos Almada, que se referiram ao Sínodo 2021-2023 e às JMJ Lisboa 2023 como oportunidades pastorais.

LS

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