Arcebispo de Lyon foi condenado a seis meses de prisão, com pena suspensa, por não ter denunciado abusos sexuais de menores

Foto: Lusa

Lyon, França, 07 mar 2019 (Ecclesia) – O cardeal Philippe Barbarin, arcebispo de Lyon (França), anunciou hoje em conferência de imprensa que vai apresentar a sua renúncia ao Papa, depois de ter sido condenado a seis meses de prisão, com pena suspensa, por não denunciar abusos sexuais de menores, cometidos por um padre da sua diocese.

“Decidi ir ao encontro do Santo Padre para lhe entregar a minha demissão”, referiu aos jornalistas, numa curta declaração, acrescentando que a audiência, no Vaticano, deve decorrer “dentro de alguns dias”.

O cardeal francês começou por dirigir-se às vítimas dos abusos e suas famílias, para assegurar a sua “compaixão” e “oração”.

O caso tornou-se do conhecimento público a 23 de outubro de 2015, quando a Diocese de Lyon revelou que tinha recebido queixas contra o padre Bernard Preynat, capelão de um grupo de escuteiros, acusado de ter abusado de dezenas de menores.

O tribunal de Lyon pronunciou hoje a sua sentença, sem a presença do cardeal Barbarin, mas os seus advogados anunciaram de imediato a intenção de recorrer da decisão judicial.

Os outros cinco acusados – dois bispos, um padre e dois leigos – foram absolvidos pelo tribunal.

O padre Preynat foi removido de funções no ano de 2015.

A Conferência Episcopal Francesa (CEF) reagiu à decisão do Tribunal, em comunicado, considerando que não a deve “comentar” e que, “como qualquer cidadão francês”, o cardeal Barbarin tem o direito de recorrer da mesma, esperando por isso o desfecho do processo.

Quando à renúncia do arcebispo de Lyon, a CEF entende que esta é uma opção de “consciência pessoal”.

A CEF reafirma ainda o “seu compromisso de lutar resolutamente contra todas as agressões sexuais cometidas por clérigos contra menores”.

OC

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