Bispo do Ordinariato Castrense sublinha «papel social imprescindível» dos agentes de todos os ramos em tempo de pandemia

Foto: Exército Português

Lisboa, 19 out 2020 (Ecclesia) – O bispo das Forças Armadas e de Segurança sublinhou o “papel social imprescindível” dos agentes durante a pandemia.

“Quando tudo parava, eles mantinham-se em intensa atividade; quando tudo se esboroava, eles permaneciam em pé; quando todos recuavam, eles avançavam para a linha da frente. Como cidadãos, só temos de agradecer a generosa disponibilidade e prontidão desses verdadeiros «sacerdotes» do serviço aos outros”, escreve D. Rui Valério no plano pastoral para 2020-2021, enviado  à Agência ECCLESIA.

Num tempo que avança entre a “incerteza da ciência” e a “fragilidade dos mais pobres” que continuam a ser “as principais vítimas de uma pandemia”, o responsável pelo Ordinariato Castrense afirma a importância de “reagir” com “propostas de caminho” inspiradoras, com uma “criatividade profética, pastoral e santificante” nas várias unidades.

D. Rui Valério apela para se “ir ao encontro das pessoas”, contrariando as “situações de isolamento, tanto físico, como psicológico”, que as “razões sanitárias promovem”.

“Somos todos convidados a cultivar, nas nossas Unidades e dentro dos padrões que a situação atual requer, momentos de encontro com a Palavra de Deus, de partilha, de anúncio. Quanta força tem uma visita, um encontro, a dádiva de uma palavra radicada na Palavra”, escreve.

O responsável apela ainda à prática da leitura e estudo da Bíblia, “presencial ou pela Internet” e recomenda que sejam constituídos grupos de oração, “compostos por leigos e sob a orientação do capelão”, onde, com reuniões regulares, possam “rezar” e também “ler e refletir” a encíclica ‘Fratelli Tutti’, do Papa Francisco.

A Igreja Católica em Portugal encontra-se a preparar as Jornadas Mundiais da Juventude, marcadas para o verão de 2023, em Lisboa, atividade que inspira a ação do Ordinariato Castrense.

“Levantar-se, ir ao encontro, servir: São, sem dúvida, estes os verbos que sintetizam a proposta de evangelização para a Igreja nos últimos anos”, reconhece D. Rui Valério, sendo capaz de originar uma “criatividade pastoral”.

“As Forças Armadas e as Forças de Segurança continuam a ter nas pessoas, nas mulheres e nos homens que as formam e servem, o seu mais precioso valor. Vamos centralizar o programa pastoral no gesto de ir ao encontro delas, lá onde estão a servir Portugal, a trabalhar, a desempenhar a sua missão, a viver”, sublinha o responsável.

D. Rui Valério pede aos capelães militares para, “nas Unidades”, irem ao encontro das pessoas, “aproximarem-se delas, visitar onde estão e onde trabalham” e indica que anunciar a “boa notícia” é a “primeira forma de servir os irmãos”.

Nas Forças Armadas e nas Forças de Segurança «servir» tem um significado peculiar. Evoca a máxima forma do serviço na disponibilidade em oferecer a própria vida pela Pátria e, sempre que necessário, derramar o próprio sangue em defesa da paz, da segurança e da vida; servir significa promover a dignidade do outro. Por isso, partilhar o pão, os cuidados médicos, os meios para transportar órgãos humanos ou combater incêndios, abrir os espaços para acolher os mais vulneráveis, ir socorrer quem foi vítima de uma catástrofe ou necessita de ser repatriado. A par destas ações, as Forças Armadas e Forças de Segurança também realizam a sua vocação de servir na implementação da liberdade e da justiça. Este espírito de serviço, no dia-a-dia, também se concretiza através da solidariedade recíproca”.

O responsável afirma que as capelanias devem ser “peritas em «amizade social»” e geradoras de paz, capazes de ir ao encontro e fomentar “um clima de espiritualidade e de oração”.

“A criatividade santificante é o sentido da presença e da missão da Igreja em âmbito castrense”, reconhece, indicando que a “abertura ao transcendente” deveria, “desejavelmente”, estar em consonância com a prática de quem “investe cada ação realizada por militares ou por elementos de segurança na mística do serviço à Pátria”.

LS

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