Padre Rafael Costa Gomes alerta para a «crise identitária», cultural e cristã, que marca aquele território asiático 

Foto Vatican Media

Manila, 12 mai 2019 (Ecclesia) – O padre Rafael Costa Gomes, atualmente a trabalhar nas Filipinas, diz que a ida do arcebispo de Manila a Fátima, nos dias 12 e 13 de maio, será um marco essencial para o esforço de “reevangelização” daquele território.

Em entrevista à Agência ECCLESIA, o missionário do Verbo Divino, que está há cerca de um ano em território filipino, realça como grande desafio pastoral a “necessidade urgente” de uma renovação “da prática da fé cristã” no país, a “diversos níveis: sacramental, hierárquico, doutrinário e catequético”.

“Julgo até que se não houver este esforço de manter a fidelidade aos ensinamentos da Igreja-Mãe, ainda que respeitando as diferenças culturais marcadamente asiáticas, com tudo o que isso implica, em poucas décadas corre-se o risco de se criar uma Igreja nacional com doutrinas alheias à da Igreja Católica”, aponta o sacerdote.

Recorde-se que em 2021 as Filipinas assinalam 500 anos da chegada dos primeiros evangelizadores cristãos àquele arquipélago asiático.

Este país é atualmente o único do continente asiático onde a religião católica é maioritária, com uma comunidade composta por mais de 80 milhões de fiéis, o que representa cerca de 90 por cento da população total.

De acordo com o padre Rafael Costa Gomes, a Igreja Católica continua a ter “um papel bastante ativo” na sociedade filipina, mas nota-se um grande défice pastoral ao nível das bases, dos sacramentos, onde “a catequese aqui é muito deficitária”.

A par deste contexto, o sacerdote dá conta também do surgimento de “vários movimentos protestantes”, e até “de certa forma acatólicos”.

“Novas seitas que têm causado grande confusão entre o povo, confusão essa que se tem também estendido a membros da Igreja, que agem de acordo com as modas do tempo”, realça o missionário do Verbo Divino.

É nesta situação, de desgaste da marca cristã nas Filipinas, e também de “uma certa crise identitária que nos últimos 500 anos tem pautado a vida dos filipinos”, que o padre Rafael Costa Gomes encara a ida do arcebispo de Manila ao Santuário de Fátima como um fator bastante positivo para a presença cristã no território.

“Trazer a Mensagem de Fátima como via de ajudar a esta reevangelização orientada na Doutrina da Igreja, e fazer com que as pessoas voltem para Deus de coração aberto, sincero e generoso”, acrescentou.

O arcebispo de Manila, D. Antonio Luis Tagle, atualmente também presidente da Cáritas Internationalis, preside este ano à peregrinação internacional dos dias 12 e 13 de maio, como forma também de destacar a cada vez maior afluência de peregrinos do continente asiático ao Santuário de Fátima.

Para o padre Rafael Costa Gomes, que é neste momento vigário de uma paróquia do Vicariato de São José, no Mindoro Ocidental, comunidade que tem como patrona precisamente Nossa Senhora de Fátima, este será também um momento de reforçar junto do povo filipino, a partir da Cova da Iria, a devoção mariana que aqui tem florescido ao longo dos tempos.

“A devoção maior aqui é sem dúvida a Nossa Senhora de Lourdes. Há que salientar, contudo, a grande devoção mariana que existe entre os fiéis, devoção essa que ainda vai congregando muita gente”, frisa o jovem sacerdote português natural de Covas, no concelho de Vila Verde (Braga) e que está nas Filipinas desde agosto de 2018.

A abordagem do padre Rafael Costa Gomes à realidade cristã naquele território asiático é tema em destaque no Programa ECCLESIA deste domingo, na Antena 1.

OC/JCP

Partilhar:
Share