Fiéis Defuntos: «Aquilo que é feito nos cemitérios pode ser feito nas nossas casas» – Frei Hermínio Araújo

Franciscano destaca importância do ritual e sugere que ao texto partilhado pela Agência ECCLESIA seja associado um objeto

Foto: Agência ECCLESIA/HM

Lisboa, 30 out 2020 (Ecclesia) – Frei Hermínio Araújo, religioso francisco, considera que há várias formas de comemorar o dia dos Fiéis Defuntos, “e com muita criatividade”, apesar das limitações impostas por causa da pandemia e para evitar aglomerações nos cemitérios.

“Aquilo que é feito nos cemitérios pode ser feito nas nossas casas, até mesmo imaginar a possibilidade de no dia 1 ou 2 de novembro a família combinar, estando cada um nas suas casas, à mesma hora acenderem todos uma vela”, sugeriu o frade Franciscano, esta tarde, no programa ECCLESIA na RTP2.

Frei Hermínio Araújo assinalou que existem “outros elementos” que permitem que “os diversos membros da família estejam em ligação, em sintonia”, não sendo possível juntarem-se todos numa mesma casa, numa mesma igreja “ou, sobretudo, no mesmo dia no cemitério” por causa da pandemia de Covid-19.

No contexto da festa de Todos os Santos (1 de novembro) e da comemoração dos Fiéis Defuntos (2 de novembro), o religioso observa que, em muitos sítios, era oportunidade para a família reunir em casa, partilhar uma refeição, e ir ao cemitério, “mas não quer dizer que a família não possa estar ligada”.

A Agência ECCLESIA vai partilhar nas suas redes sociais um texto para quem lembrar quem partiu e frei Hermínio Araújo sugere, se possível, “associar algum objeto, algo que ligue ainda mais ao nome” que vai ser recordado, “algo simbólico para entrar novamente nesta lógica do ritual”.

A experiência cristã e a experiência espiritual é muito de trazer para fora aquilo que nos vai na alma, o texto permite uma certa exteriorização do que estamos a viver interiormente mas diria mais associar ao texto alguma coisa que ligue a esse nome que é indicado no texto”.

O frade franciscano defende que se evidencie “tudo aquilo que, apesar destas restrições necessárias”, as pessoas podem “fazer, todas as potencialidades”.

“Valia a pena evidenciar muito a importância do ritual: a dimensão celebrativa destes dias, rituais de fé ou mesmo não sendo rituais de fé porque as pessoas mesmo não querendo, por que não se identificam muito com o catolicismo, por exemplo, vão aos cemitério prestar homenagem aos seus falecidos, colocando flores, acendendo uma vela”, desenvolveu.

O religioso sublinha que os rituais de luto são importantes e, neste tempo, “faz todo o sentido” que as pessoas “façam alguma coisa” que não seja “apenas algo meramente teórico, mero exercício intelectual”.

“O ritual é sempre um elemento na vida que marca a diferença que nos permite viver determinado momentos da vida com uma intensidade diferente da correria do dia-a-dia”, explica.

Para frei Hermínio Araújo, este ano, “com mais razão”, se pode dizer que o mês de novembro é dedicado “à memória dos falecidos, o mês das almas”, e existe “uma excelente oportunidade de fazer memoria, celebrar, estar em sintonia, rezar para os crentes”, com os falecidos e não apenas nestes dois dias”.

O frade franciscano, que tem acompanhado famílias em contexto de luto e da saúde paliativa, é o convidado das «Conversas na Ecclesia» (17h00) e do programa da Igreja Católica na rádio Antena 1 (22h45), de 2 a 6 de novembro.

PR/CB/OC

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