Fátima: Santuário regista mais de um milhão de peregrinos em 2026 e assinala 45.º aniversário de atentado contra João Paulo II

Recinto mariano recupera de danos provocados pela tempestade Kristin, com novas acessibilidades

Foto Agência ECCLESIA/PR, Padre Carlos Cabecinhas, conferência de imprensa na peregrinação de 12 e 13 de maio

Fátima, 12 Mai 2026 (Ecclesia) – O Santuário de Fátima contabilizou mais de um milhão de peregrinos, entre 1 de janeiro e 11 de maio deste ano, com um “ligeiro aumento” face a 2025.

“São mais 11 552 peregrinos, um ligeiro aumento, que indica que provavelmente teremos um ano com números de afluência de peregrinos semelhantes aos do ano anterior”, disse o padre Carlos Cabecinhas, reitor do santuário, em conferência de imprensa.

O balanço demográfico destaca a forte mobilização internacional, com grupos oriundos de várias geografias a consolidarem a sua presença no santuário mariano.

Os peregrinos espanhóis continuam a ser os estrangeiros mais numerosos em Fátima, seguidos pelos peregrinos polacos, os grupos dos Estados Unidos, Itália e Coreia do Sul.

O reitor do Santuário assinalou ainda um “grande aumento” da devoção a Nossa Senhora de Fátima, no Brasil.

O padre Carlos Cabecinhas adiantou que, na Missa do 13 de maio, se vão assinalar os 45 anos do atentado contra a vida do Papa polaco, no Vaticano; o projétil encontra-se incrustado na coroa da Imagem de Nossa Senhora, venerada na Capelinha das Aparições.

“Para lembrar este acontecimento, o cálice que amanhã usaremos na celebração da Eucaristia, que habitualmente pode ser visto no Museu do Santuário, é o cálice que o Papa João Paulo II ofereceu ao Santuário de Fátima”, adiantou.

“Há 45 anos, percebemos de forma mais clara que, como lembra a Mensagem de Fátima, o poder da oração é mais forte que o poder das balas”, acrescentou o reitor.

Os tiros disparados por Ali Agca atingiram o Papa polaco pelas 17h17 de Roma (16h17 de Lisboa), tendo sido o pontífice transferido para o Hospital Gemelli, em Roma, onde foi operado.

Este acontecimento mudou a relação de João Paulo II com Fátima: a 13 de maio de 1982, veio à Cova da Iria reconhecer publicamente a sua convicção de que houve uma intercessão de Nossa Senhora de Fátima na sua recuperação.

Logo na primeira audiência após o atentado, a 7 de outubro de 1981 – memória litúrgica de Nossa Senhora do Rosário – o santo polaco assumia esta convicção.

Poderia esquecer que o acontecimento na Praça de São Pedro se realizou no dia e na hora, em que, há mais de 60 anos, se recorda em Fátima, em Portugal, a primeira aparição da Mãe de Cristo aos pobres e pequenos camponeses? Porque, em tudo aquilo que sucedeu exatamente nesse dia, notei aquela extraordinária proteção maternal e solicitude, que se mostrou mais forte do que o projétil mortífero”.

Em maio de 1982, no aniversário desse primeiro atentado contra a sua vida, Karol Wojtyla (1920-2005) chegava a Fátima.

Antes de partir, em Roma, João Paulo II explicava que queria ir à Cova da Iria, “lugar abençoado, também para escutar novamente, em nome de toda a Igreja, a Mensagem que ressoou há 65 anos nos lábios da Mãe comum, preocupada com a sorte dos seus filhos”.

Em Fátima, o Papa falou para “agradecer à Divina Providência neste lugar que a mãe de Deus parece ter escolhido de modo tão particular” (homilia do 13 de maio). Simbolicamente, a bala que lhe atravessou o abdómen repousa hoje na imagem da Virgem na Cova da Iria.

Diante dos peregrinos, na Capelinha das Aparições, agradeceu a “especial proteção materna de Nossa Senhora”.

“E pela coincidência – e não há meras coincidências nos desígnios da Providência divina – vi também um apelo e, quiçá, uma chamada à atenção para a mensagem que daqui partiu, há sessenta e cinco anos, por intermédio de três crianças, filhas de gente humilde do campo, os pastorinhos de Fátima, como são conhecidos universalmente”, acrescentou.

A devoção à oração do Rosário e a preocupação com as “ameaças” ao mundo foram outros temas centrais das intervenções de João Paulo II, que proferiu uma oração de Consagração a Nossa Senhora, a 13 de maio, na qual deixou, entre outras, a seguinte invocação: “Da guerra nuclear, de uma autodestruição incalculável e de toda espécie de guerra, livrai-nos!”

Na Cova de Iria, viria a ser vítima de um novo ataque contra a sua vida, perpetrado pelo espanhol Juan Fernández Krohn, padre tradicionalista que usava um punhal.

Já depois da morte de João Paulo II (2 de abril de 2005), o cardeal Stanislaw Dziwisz, que foi seu secretário particular, assegurava que este tinha sido ferido, embora de forma ligeira.

O recinto sofreu danos patrimoniais e naturais no final de janeiro devido à passagem da tempestade Kristin, o que obrigou a uma intervenção estrutural focada na rearborização e na melhoria das acessibilidades, explicou o sacerdote.

“Fizemos a reposição completa dos pavimentos de calçada, em vez da mera reparação, para evitar desnivelamentos; melhoramos a iluminação nas áreas intervencionadas; temos em curso a reformulação das rampas de acesso para pessoas com mobilidade reduzida”, elencou o padre Carlos Cabecinhas.

O Santuário de Fátima acolhe milhares de peregrinos para a primeira peregrinação internacional do ano, com 170 grupos oficiais de 30 países.

A peregrinação de maio é presidida pelo patriarca de Lisboa, D. Rui Valério.

OC

 

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