Postuladora da causa de canonização sublinha exemplo de vida que procurou «sentido do sofrimento»

Fátima, 19 fev 2020 (Ecclesia) – A Igreja Católica celebra esta quinta-feira a festa litúrgica dos santos Francisco e Jacinta Marto, no dia em que se assinalam os 100 anos sobre a morte da mais jovem dos videntes de Fátima.

“É uma oportunidade para pensar melhor a vida de Jacinta, a sua morte, a sua doença, como nos pode ainda hoje interpelar”, refere à Agência ECCLESIA a irmã Ângela Coelho, postuladora da causa de canonização dos dois pastorinhos.

A religiosa destaca o “sentido do sofrimento” que a criança soube encontra nos seus menos de 10 anos de vida, um percurso reconhecido com a canonização, pelo Papa Francisco, a 13 de maio de 2017.

Afetada pela “gripe espanhola”, em 1918, Jacinta vê o seu irmão morrer em abril de 1919; foi tratada em Ourém, onde recebe a visita de Lúcia, sua prima, vidente de Fátima, que diz tê-la encontrado “feliz por poder oferecer este sofrimento” a Deus.

“Nunca se queixou”, indica a irmã Ângela Coelho.

Em janeiro de 1920, Jacinta Marto foi levada para Lisboa, para ser tratada no Hospital D. Estefânia, tendo falecido a 20 de fevereiro; a 1 de maio de 1951, os seus restos mortais foram trasladados para a Basílica de Nossa Senhora do Rosário, no Santuário de Fátima.

Na sua morte, a irmã Ângela vê várias semelhanças à Paixão de Cristo: a sede, o peito aberto e a sepultura inicial num túmulo emprestado (o jazigo do Barão de Alvaiázere, em Ourém).

“A Jacinta terá experimentado aquilo que Jesus experimentou na cruz”, observa a postuladora.

Comovo-me muito com a generosidade da Jacinta”.

A pequena santa foi uma “criança normal”, “como eram as crianças de há 100 anos”, que cresceu numa família de “matriz cristã”, uma menina “sensível, muito alegre”, com quem as crianças de hoje se podem identificar.

Segundo a irmã Ângela Coelho, houve “um encontro com Deus”, nas Aparições de 1917, que mudou a vida da menina, passando a ser “menos centrada nela” e “muito sensível ao sofrimento dos outros”.

“O seu olhar alargou-se, olharam para cima e ficaram com um horizonte de vida imenso”, acrescenta.

Jacinta Marto nasceu em 5 de março de 1910, tendo sido batizada no dia 19 desse mês, também na igreja paroquial de Fátima; canonizada em 2017, é a mais jovem santa não-mártir na história da Igreja Católica.

“As crianças são absoluta transparência ao agir de Deus”, indica a irmã Ângela Coelho.

A Casa das Candeias, aberta em 2014, na Cova da Iria, mantém viva a memória dos dois irmãos, em particular após o grande impacto da canonização de “duas figuras excecionais”, ligadas à Mensagem de Fátima.

Ao Santuário chegam um número “impressionante” de pedido de relíquias, de várias partes do mundo, tendo aumentado o número de peregrinos que passa junto ao túmulo dos santos Francisco e Jacinta Marto.

A mais nova dos três pastorinhos nasceu em Aljustrel, a 11 de março de 1910.

Esta quinta-feira têm lugar celebrações religiosas na Capelinha das Aparições e na Basílica da Santíssima Trindade, bem como atividades com crianças.

Em Lisboa, o centenário da morte de Jacinta Marto será assinalado com uma conferência, pelas 15h00, no Hospital D. Estefânia, seguida de uma Missa, presidida pelo cardeal-patriarca, D. Manuel Clemente.

Até sexta-feira, pelas 22h45, o programa ECCLESIA na Antena 1 conversa com a postuladora da Causa de Canonização de Francisco e Jacinta Marto.

LS/OC

A biografia apresenta na Cova da Iria, durante a cerimónia de canonização, em 2017, evocou o “caráter carinhoso e expansivo” da mais jovem santa não-mártir da Igreja Católica.

“Tocada pelas aparições do Anjo e da Mãe de Deus deixa-se impressionar, sobretudo, pelo sofrimento dos ‘pobres pecadores’ e pela missão e sofrimento do Santo Padre. De facto, após esses encontros com o Céu, vive completamente esquecida de si, oferecendo orações e sacrifícios para o bem de todos quantos sofrem”, referia o texto lido por D. António Marto, bispo de Leiria-Fátima.

 

A menina de sete anos atenta ao sofrimento dos outros – Emissão 17-02-2020

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