Sacerdote de Guimarães caminhou a pé durante sete dias rumo à Cova da Iria, que caracteriza como «porto de abrigo» e «um trampolim para a vida»

Fátima, 13 mai 2026 (Ecclesia) – O padre Leonel Cunha, da Arquidiocese de Braga, peregrinou pela primeira vez ao Santuário de Fátima, para as celebrações do 12 e 13 de maio, e ao longo do caminho despojou-se do dispensável para chegar ao “colo” da Mãe.
“Cada dia que se passava, o cansaço acumulava-se, mas havia uma sensação de muito despojamento, ou seja, de deixar para trás muita coisa que na nossa vida é barulho, que na nossa vida às vezes até incomoda”, afirmou o sacerdote, de Guimarães, em declarações à Agência ECCLESIA, na Cova da Iria.
A peregrinação internacional aniversária de maio, que assinala os 109 anos das aparições marianas, iniciou-se esta terça-feira, reunindo milhares de pessoas, ente elas muitas que caminharam a pé durante dias, como foi o caso do padre Leonel, que se fez à estrada durante sete dias.
“Ao fazermos esta peregrinação, quase que como uma criança que corre para os braços da mãe, sentimos que de facto nós só podemos levar o essencial. E o essencial, acima de tudo, é trazer a nossa vida. Trazer aquilo que são os nossos anseios, as nossas preocupações, mas sobretudo também trazer aquilo que são as nossas alegrias”, expressou.
Aos ombros, o também pároco de Nossa Senhora da Conceição trouxe também pedidos de outras pessoas que lhe foram confiados para “regenerar, renovar a sua vida nestes dias, tempos tão incertos, onde o futuro parece muito instável”.
“Ao levarmos e trazermos isso tudo, esquecemos o mundo, que muitas das vezes nos entulha de muitas preocupações, de muitas inquietações, de muitas coisinhas que às vezes não são aquilo que dão o valor essencial à vida”, destacou.
De acordo com o Santuário, 250 mil peregrinos estiveram presentes nas cerimónias desta terça-feira, estando registados 170 grupos oficiais de 30 países.
“Fátima é de facto o porto de abrigo, mas Fátima é o acolher de tudo aquilo que trazemos, mas que depois é o trampolim para a vida”, salientou o padre Leonel Cunha, acrescentando que naquele lugar se entrega tudo para depois se partir renovado.
Mais do que peregrinar por um lugar, peregrinamos em direção a algo que é muitas das vezes esquecido, que é peregrinarmos em direção ao amor. Peregrinamos em direção a um colo que nos abraça, que nos dá alento e que depois esse alento é levado para a vida e partilhado.”
O sacerdote partilhou também que, ao contrário do que acontece noutras ocasiões, ao longo da peregrinação, o cansaço proporciona o abraço, o olhar atento sobre o outro e a perceção de todos são frágeis.
“Muitas das vezes, no nosso quotidiano, na nossa vida profissional, em tudo aquilo que vamos vivendo, vamo-nos inquietando, vamo-nos perturbando e isso às vezes causa-nos aqui até às vezes [vontade de] desistir da própria vida. E aqui nós sentimos que, de facto, o cansaço é muitas das vezes aquilo que nos une, aquilo que dá para que nós sintamos que de facto somos todos iguais”, referiu.
Sobre a chegada a Fátima, o padre Leonel Silva realça que não se entra apenas no santuário físico, mas também no “interior”, que “é aquilo que muitas das vezes está escondido” e que não se consegue “revelar de forma tão visível”.
Nós nunca devemos ter vergonha de chorar, porque o choro é a nossa interioridade a manifestar-se também ao mundo, à realidade daquilo que vivemos, seja nas alegrias, seja nas tristezas.”
O patriarca de Lisboa preside à peregrinação de maio, que se conclui hoje com a Missa internacional, durante a qual apelou à construção da paz e da fraternidade, defendendo uma devoção mariana com impacto concreto na sociedade.
Já na terça-feira, na homilia da Celebração da Palavra, D. Rui Valério, alertou para um “mundo ferido” pela guerra e pediu mudança interior.
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Fátima: «A humanidade só encontrará paz quando descobrir novamente que é família» – D. Rui Valério



