Presidente da celebração invocou o envolvimento dos cristãos no “acolhimento” aos migrantes

Fátima, 12 ago 2020 (Ecclesia) – D. José Traquina, bispo de Santarém, que preside à peregrinação internacional aniversária de 12 e 13 de agosto em Fátima, invocou na celebração de hoje o envolvimento dos cristãos no acolhimento aos migrantes, “uma necessidade e um bem para Portugal”. 

“Como cristãos, manifestemos capacidade de acolhimento e não cultivemos sentimentos que não correspondem à nossa matriz cristã de fraternidade universal. Os estrangeiros são uma necessidade e um bem para Portugal, não para serem explorados ou mal tratados, mas acolhidos e protegidos com a mesma respeitabilidade que desejamos para os portugueses que vivem em qualquer outro país”, disse o Presidente da Comissão Episcopal da Pastoral Social e Mobilidade Humana, na reflexão que apresentou na Cova da Iria, esta noite.

D. José Traquina disse ainda que a “Obra Católica Portuguesa de Migrações espera mais envolvimento nos serviços diocesanos com os migrantes”, realidade que a pastoral da Igreja tem de estar atenta para “acompanhamento e apoio”.

É desejável que os Secretariados Diocesanos para as Migrações desenvolvam iniciativas que tenham a ver com os migrantes portugueses no estrangeiro e também com os migrantes estrangeiros residentes em Portugal que, segundo um recente Relatório do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras, ultrapassa as 590 mil pessoas”, assinalou.

O prelado destacou a importância dos estrangeiros serem informados acerca das nossas regras e hábitos de convivência e ter as condições para expressarem a sua cultura”.

Foto: Santuário de Fátima

D. José Traquina lembrou ainda o tempo de pandemia onde “foi ressaltado o valor da vida humana, como dom e maior bem”, os migrantes que tiveram “dificuldades acrescidas” e ainda a realidade de Cabo Delgado, em Moçambique, onde “existem mais de 250 mil pessoas deslocadas”.

“Não admira, portanto, que seja naquela região de Moçambique que se encontra a maior densidade de pessoas atingidas pelo coronavírus naquele país. De Portugal já foram promovidas diversas iniciativas de apoio, mas a necessidade é grande. Porém, é urgente que seja encontrada uma solução para travar os combates armados que atingem pessoas inocentes”, referiu. 

Nesta noite o andor com a Imagem de Nossa Senhora do Rosário de Fátima foi levado por peregrinos voluntários, um deles emigrado em França, como divulgou o Santuário de Fátima.

Esta Peregrinação Internacional Aniversária, em Fátima, tem a particularidade de integrar também a Peregrinação dos Migrantes, orientada pelo título  ‘Entre a incerteza e a esperança há uma ponte em construção’, um dos pontos altos da 48.ª Semana Nacional das Migrações, promovida pela Igreja Católica de 09 a 16 de agosto.

A peregrinação de agosto é marcada sempre pelo calor da diáspora, mas este ano, em virtude da pandemia, a mobilidade das pessoas está mais comprometida, estando registados sete grupos da Alemanha, Espanha, Costa do Marfim, Sri Lanka, Itália e Polónia.

Estas participações foram agendadas depois do início do desconfinamento e esta é a primeira grande peregrinação aniversária do ano que regista a inscrição de grupos estrangeiros.

A peregrinação prossegue esta quinta-feira às 09h00, com a recitação do Rosário; às 10h00 tem lugar a Missa Internacional, no Recinto de Oração, com a Bênção dos Doentes, concluindo-se com a Procissão do Adeus.

SN

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