Nuno Sousa e Elisabete Pinto lideram o projeto, que encerrou terceira etapa do percurso no Colégio dos Salesianos, em Anadia, em Aveiro

Anadia, 09 mai 2026 (Ecclesia) – Um grupo de 300 peregrinos de Travanca-Amarante, na Diocese do Porto, está a peregrinar até ao Santuário de Fátima, acompanhado de 70 voluntários, e esta quinta-feira concluiu mais uma etapa em Anadia.
Em declarações à Agência ECCLESIA, Nuno Sousa, um dos organizadores, explicou que o projeto, no contexto das celebrações do 13 de maio, data da primeira aparição de Nossa Senhora aos pastorinhos, inclui 70 voluntários, que se dividem equipas de apoio logístico, assistência médica, distribuição de alimentação e transporte de bagagens.
“Eu já faço isto desde os 19 anos. Eu fiz parte de um outro grupo. Eu gosto muito de ajudar os peregrinos, então, o tal organizador viu em mim alguém que poderia ajudar os outros”, conta, acrescentando que, mais tarde, decidiu construir o próprio projeto.
“Lancei o desafio aos meus colegas e decidi criar o nosso grupo, que é Peregrinação a Pé Fátima Travanca Amarante. […] E este ano é a quinta vez que a minha organização está cá”, referiu.
Esta “família alargada” cumpriu esta quinta-feira mais uma fase do percurso, instalando-se cerca das 13h40 no Colégio de Mogofores, dos Salesianos, em Anadia, na Diocese de Aveiro, terminando a peregrinação do dia.
Na chegada ao local de repouso, a equipa de distribuição de alimentação já esperava os peregrinos para começar a servir o almoço.
Nuno Sousa dá conta que o grupo acorda às 03h30 da manhã e tem a primeira refeição do dia, “um mini pequeno-almoço”, com café, chá e bolachas.
“Carregamos os camiões, os sacos, os colchões. Fazemos uma oração, porque isto é muito importante para a evolução espiritual dos peregrinos. E depois caminhamos, uns oito, dez quilómetros, temos um verdadeiro pequeno almoço”, indica.
Depois, o grupo volta depois a caminhar mais 10 quilómetros, tem mais uma refeição, e retoma a caminhada até ao almoço.

“A equipa [da alimentação] volta a preparar-se para fazer o jantar. Temos a parte da saúde, a parte da logística, depois eles vão descansar, vão fazer os tratamentos, temos enfermeiros, temos massagistas, fisioterapeutas, e eles vão fazendo essa logística durante a tarde”, menciona.
O final do dia é marcado por uma Eucaristia e pelo jantar, antes da horas de descanso dos peregrinos para, no dia seguinte, voltarem a realizar esta rotina.
Elisabete Pinto, também organizadora, relata que a preparação da peregrinação inicia logo quando termina a edição do ano anterior, uma vez que este é um processo que exige o planeamento dos locais de repouso, dos equipamentos, camiões e carrinhas.
“São pessoas que dispõem das viaturas, do trabalho deles, em prol do serviço que nós fazemos para os peregrinos. Portanto, temos aqui vários desafios. A parte mais fácil provavelmente é mesmo agora, que é fazer o caminho, acompanhá-los, dar-lhes apoio, estar presente quando é preciso, porque tudo o resto já foi feito”, declara.
Apesar do “cansaço”, Elisabete Pinto revela que no final de cada etapa, de cada celebração e de cada refeição, o sentimento é o mesmo: “Nós, normalmente, olhamos um para o outro e dizemos, vale a pena”.
“Aquilo que nós vemos, que fazemos as pessoas sentirem, ou no fundo contribuímos para que as pessoas possam sentir, acho que é o suficiente para nós continuarmos cá, a fazer este trabalho em prol dos peregrinos”, assinala.

A organizadora do grupo destaca que a peregrinação é mais do que caminhar ou cumprir promessas, mas é uma experiência religiosa e espiritual.
Nós nunca regressamos a casa como viemos, nós regressamos diferentes. Só temos pena é que quando regressamos, depois estamos ali algum tempo na nossa bolha, mas depois temos um baque porque chegámos à realidade”, realça.
Para Nuno Sousa, o mais importante é assistir à evolução interior e espiritual de cada peregrino ao longo do percurso até ao Santuário mariano.
“Ver pessoas que se calhar não ligavam à religião e querem fazer isto por uma experiência, apenas experiência, e chegam ao fim da peregrinação e tornam-se pessoas diferentes. E depois ao longo do ano, vemo-las a ir a celebrações que nós vamos proporcionando, e vê-las lá, isto para nós é muito gratificante”, descreve.
O Grupo de Peregrinos a Pé Travanca- Amarante iniciou a peregrinação a Fátima na terça-feira, 5 de maio, e chega ao Santuário na próxima segunda-feira, dia 11.
“Temos tido já algumas chegadas mais emotivas do que outras, isto também depende muito do nosso estado de espírito, mas por norma são sempre muito emotivas. Porque no fundo é o culminar da nossa parte, enquanto organizadores, enquanto membros da equipa, é o culminar do nosso trabalho”, refere Elisabete Pinto.
Para a organizadora, “é sempre muito difícil” transmitir por palavras a chegada à Cova da Iria.
| No âmbito da peregrinação de milhares de pessoas a Fátima para as celebrações de maio, a Cruz Vermelha Portuguesa (CVP) ativou o dispositivo de apoio aos peregrinos através de uma resposta nacional articulada que mobiliza equipas e meios ao longo dos principais eixos de peregrinação, garantindo acompanhamento contínuo até à Cova da iria.
A instituição mobilizou cerca de 500 operacionais para assegurar o funcionamento do Posto Médico Avançado junto ao Santuário nos dias 12 e 13, bem como dos vários postos de assistência da CVP instalados ao longo dos percursos de peregrinação em todo o país. |
O Santuário da Cova da Iria divulgou, na terça-feira, que estavam inscritos, até ao momento, 138 grupos de peregrinos, dos cinco continentes, num total de 6301 pessoas.
A peregrinação de maio, que evoca a primeira aparição da Virgem às três crianças de Aljustrel, é este ano presidida por D. Rui Valério, patriarca de Lisboa.
LJ/OC




