Padre Gigi Maccalli falou com a Fundação Ajuda à Igreja que Sofre

 

Lisboa, 05 ago 2021 (Ecclesia) – O missionário italiano Gigi Maccalli esteve em Fátima, no último domingo, para agradecer pela sua libertação, em finais de 2020, após dois anos de sequestro no Mali.

“Tenho um dever de reconhecimento para com Maria e, em particular, a Nossa Senhora de Fátima porque a minha libertação aconteceu na festa de Nossa Senhora do Rosário. Fui libertado a 8 de outubro de 2020, mas na noite de 7 de outubro – festa do Rosário, anunciaram-me ‘Libération. C’est fini.’ Foi esta ligação, mesmo que simbólica, que quis honrar vindo a Fátima, nestes dias”, referiu o sacerdote ao secretariado português da Fundação Ajuda à Igreja que Sofre (AIS).

Em comunicado enviado hoje à Agência ECCLESIA, a AIS recorda que o missionário esteve em cativeiro às mãos de um grupo jihadista na região do Sahel.

O sacerdote, que pertence à Sociedade das Missões Africanas, lembrou também o caso da Irmã Gloria Narvaez Argoti, religiosa colombiana igualmente raptada por jihadistas e que está em cativeiro há mais de quatro anos.

“Todos os dias rezo por esta Irmã e mulher que, de há quatro anos e meio para cá, ainda está nas mãos dos seus raptores. Sofri dois anos de prisão e foi longo. Ela tem mais do dobro de tempo de prova, é uma mulher, uma religiosa e está só. Creio que necessita de muitas orações. Peço a todos para rezarem todos os dias por ela e pelos outros prisioneiros, para que aconteça depressa a sua libertação”, assinala o padre Maccalli.

O sacerdote passou pela Cova da Iria com o seu irmão, padre Walter Maccalli, e da missionária portuguesa Alexandra Almeida, ambos em missão na Libéria.

“O momento mais difícil creio que terá sido quando me algemaram. Recordo-me da data: 5 de outubro de 2018, depois de ter sido levado de mota, através de todo o Burquina Faso. Naquele dia, chegamos a uma caverna e ali me algemaram a uma árvore. Foi um momento muito desconfortável. Chorei. Gritei a Deus: ‘Meu Deus, meu Deus, porque me abandonaste’”, relata o missionário.

O padre Maccalli refere que a missão de Bomoanga, onde foi raptado, fica numa região isolada, sem polícia.

“É uma missão aberta a todos, bem ao nosso estilo de missionação: estar no meio das gentes, junto das pessoas e com elas. Somos presa fácil de gente que, sem escrúpulos, tem outras intenções”, aponta.

Durante o tempo de sequestro, o missionário fez um terço com o pano que lhe cobria a cabeça.

“O terço foi sempre a minha companhia durante todo este tempo de prisão. Muitas vezes digo que Maria e o Espírito Santo me sustentaram nesse momento difícil em que experimentei a noite escura e senti o silêncio de Deus. Mas, ao mesmo tempo, a oração dava-me força, cada dia”, explica.

O sacerdote agradece, através da AIS, a todas as pessoas que se mobilizaram pela sua libertação.

“Continuemos a apoiar a Igreja e as comunidades que vivem momentos de Calvário, de dificuldade. Estamos próximos através da oração. Obrigado a todos. Do fundo do coração, continuemos unidos pela oração. Muito obrigado a todos da minha parte”, conclui.

OC

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