Cardeal aponta visita de Francisco, em 2023, como sinal de esperança, também para a economia local

Foto: Arlindo Homem/Agência ECCLESIA

Fátima, 12 mai 2021 (Ecclesia) – O cardeal D. António Marto, bispo de Leiria-Fátima, pediu hoje na Cova da Iria um “desfecho diferente” para a crise provocada pela Covid-19, com respeito pelos mais frágeis.

Na conferência de imprensa de apresentação da peregrinação do 13 de maio, o responsável católico disse aos jornalistas que a pandemia exige “uma atenção própria, sobretudo com respeito pela dignidade das pessoas e, por conseguinte, também, pelo direito ao trabalho e ao trabalho digno”.

D. António Marto citou a intenção de oração do Papa para o mês de maio, pedindo “uma economia diferente, mais justa, inclusiva, sustentável”.

O cardeal português abordou ainda a intenção manifestada por Francisco de regressar a Fátima, por ocasião da Jornada Mundial da Juventude de 2023, que vai decorrer em Lisboa, considerando que esta viagem será um “sinal de esperança” e “uma oportunidade para a economia local”.

Já o reitor do Santuário de Fátima admitiu que os efeitos da pandemia se sentem na instituição, mas realçou que a situação, embora “difícil”, não põe em causa a “estabilidade” nem o funcionamento dos serviços na Cova da Iria.

“Este tipo de situações tem um peso extremamente grande e negativo naquilo que é o exercício anual do Santuário. No ano passado entendemos avançar com um processo de reestruturação, precisamente numa perspetiva responsável de quem sabia que não estávamos a viver um momento pontual de um ano, mas de uma situação que se ia prolongar”, indicou o padre Carlos Cabecinhas.

O sacerdote assumiu que o santuário quer retomar as atividades com doentes e com idosos, “assim que a situação pandémica o permita”, pretendendo ainda avançar com um centro de escuta e de atendimento, para as “pessoas que precisam de apoio espiritual para enfrentarem as situações da vida”.

O responsável falou num “aumento exponencial da procura de ajuda”, junto dos serviços de ação social do Santuário de Fátima, em particular na área da saúde, por causa da quebra de rendimentos provocada pela pandemia.

Questionado sobre uma eventual divulgação das contas da instituição, o cardeal D. António Marto disse que o Santuário não está “ainda em condições de as tornar públicas”, por falta de definição fiscal e jurídica dos denominados “fins religiosos” enunciados na Concordata assinada em 2004 entre Portugal e a Santa Sé.

O bispo de Leiria-Fátima lamentou ainda que os apoios estatais não sejam suficientes para as IPSS, que considerou “o parente pobre” do setor social.

OC

Fátima 12 e 13 maio 2021

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