Fátima: Bispo de Portalegre-Castelo Branco contesta «modelos polarizados e violentos» da sociedade contemporânea

Na peregrinação diocesana à Cova da Iria, D. Pedro Fernandes disse que «na Igreja não há filhos e enteados, como não há irmãos de primeira e irmãos de segunda»

Foto: Santuário de Fátima

Portalegre, 01 jun 2026 (Ecclesia) – O Bispo de Portalegre-Castelo Branco, D, Pedro Fernandes, disse, este domingo, na peregrinação diocesana ao Santuário de Fátima que o rosto trinitário de Deus contrasta “com os modelos polarizados e violentos que parecem prevalecer no mundo contemporâneo”.

“As diversidades entre pessoas, grupos e povos são usadas como pretexto para levantar muros, inventar preconceitos e avolumar violência, em vez de serem acolhidas como material de construção de um mundo em que as diferenças concorrem para a complementaridade e para a unidade no diálogo”, disse na homilia o bispo diocesano.

Na peregrinação diocesana que reuniu mais de duas mil pessoas, D. Pedro Fernandes realçou também que “só juntos, diferentes e unidos, poderemos discernir os sinais que Deus hoje nos aponta e responder-lhe de modo comprometido e corresponsável”.

Na sua recente encíclica, «Magnifica Humanitas», o Papa Leão XIV refere “duas imagens bíblicas opostas para indicar dois modelos”

Por um lado, a imagem da torre de Babel, “metáfora de um mundo globalizado que tritura as diversidades, desvaloriza as pessoas, e pretende pela força substituir-se ao próprio Deus, impondo-se de modo violento”.

Por outro lado, a imagem da reconstrução do templo de Jerusalém, ao tempo de Neemias, que, “numa época de profunda crise, parte de Deus e mobiliza todos, sem descartar ninguém, fazendo do resultado final o fruto maduro de um caminho de oração, escuta fraterna e corresponsabilidade missionária”, acrescentou o Bispo de Portalegre-Castelo Branco.

Ao olhar para a sociedade, D. Pedro Fernandes acentua que “quando vozes populistas e manipuladoras tentam estratificar a humanidade, dividindo para reinar, através de narrativas que desprezam os estrangeiros, migrantes, minorias étnicas, religiosas ou ideológicas”, os cristãos respondem com o paradigma do Reino de Deus.

“Não me canso de dizer: na Igreja não há filhos e enteados, como não há irmãos de primeira e irmãos de segunda”, acentua.

Quando os frágeis e os mais pobres são “descartados ou ignorados por uma economia que mata” porque apenas se “alimenta da lógica capitalista que desvaloriza as pessoas”, os cristãos põem “no centro o Deus de Jesus Cristo, que se identificou com todos e especialmente com os mais fracos”, completa.

LFS

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