Évora: «Na Ressurreição, tudo o que foi vivido – dor, sacrifício, esforço e amor – permanece, mas transfigurado numa realidade nova e plena», diz arcebispo

Igreja de Santa Helena do Monte do Calvário acolheu Eucaristia presidida por D. Francisco Senra Coelho no Domingo de Páscoa

Évora, 06 abr 2026 (Ecclesia) – O arcebispo de Évora refletiu sobre a ressurreição, que “não pode ser explicada pela ciência, pela biologia, pela medicina ou por qualquer laboratório”, na Missa de Domingo de Páscoa a que presidiu na cidade.

“Trata-se de uma vida diferente, como dissemos, não envelhece nem se desgasta, que não está limitada a um único lugar e que se manifesta de modo livre, ultrapassando as barreiras do espaço e do tempo. É essa a realidade imortal da Ressurreição, distinta da simples ressuscitação”, afirmou D. Francisco Senra Coelho.

O arcebispo celebrou a Eucaristia na igreja de Santa Helena do Monte do Calvário, perante padres, consagrados e consagradas.

Na Ressurreição, tudo o que foi vivido — dor, sacrifício, esforço e amor — permanece, mas transfigurado numa realidade nova e plena”, destacou.

Na homilia enviada à Agência ECCLESIA, D. Francisco Senra Coelho indica que “existe uma consequência profunda entre a vida presente e a vida futura, sendo necessário que o pecado seja purificado e o amor cultivado”.

A outra vida não é um simples regresso ao estado atual, mas uma realidade nova, fruto do poder de Deus, que abrange todo o nosso ser: corpo, alma e espírito. A consciência — essa capacidade de sair de si, olhar para si e julgar-se — revela a profundidade da alma, que permanece sendo a própria identidade da pessoa”, salientou.

O arcebispo de Évora lembrou a Doutrina Social da Igreja que diz que, “após a morte, a alma dirige-se a Deus, é julgada, purificada e encaminhada para a comunhão plena com Ele ou para o afastamento da sua presença”.

“No fim dos tempos, acontecerá a Ressurreição final e a glória plena de Deus”, sublinhou.

D. Francisco Senra Coelho fez referência ao facto de na igreja de Santa Helena do Monte Calvário se viver a Adoração Perpétua do Santíssimo Sacramento da Eucaristia, enfatizando que a partir dali se deve “ressaltar a importância da oração e da disponibilidade da vida interior com Deus”.

Foto: Diocese de Évora

“A Eucaristia, para nós cristãos, é o pleno cumprimento da promessa de Cristo: ‘estarei sempre convosco até ao fim dos tempos.’ Quando aqui rezamos, trazemos connosco o mundo inteiro”, disse.

“A nossa oração torna-se um dom de partilha com todos os sofrimentos humanos, e o louvor e agradecimento por todas as bênçãos e graças concebidas pelo Senhor aos que D’Ele necessitaram”, acrescentou.

No final da homilia, o arcebispo de Évora deixou um pedido: “Desta Igreja de Santa Helena do Monte Calvário, brota um convite e um apelo: a perseverança na oração e a persistência na caridade, a caridade solidária, fraterna e compassiva, para com todos sem exceção!”.

“Que a fé se fortaleça e permita reconhecer a presença de Deus na simplicidade do nosso quotidiano! Na palavra obrigado a Deus e aos homens está a semente de Paz, de onde floresce a humanização e a fraternidade”, concluiu.

D. Francisco Senra Coelho concluiu o Domingo de Páscoa no Seminário de São José, em Vila Viçosa, com uma celebração junto do clero residente na Casa Sacerdotal.

Nesta Eucaristia, o arcebispo sublinhou a importância de viver a Páscoa como um tempo permanente de esperança, recordando que a ressurreição continua a iluminar os caminhos, mesmo nas fragilidades e desafios que marcam a vida sacerdotal.

D. Francisco Senra Coelho encorajou ainda os presentes a permanecerem firmes na fé, alimentados pela certeza de que Cristo vive e caminha com o seu povo, informa a Arquidiocese de Évora.

A Páscoa é a principal celebração do calendário católico, assinalando a ressurreição de Jesus Cristo.

LJ

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