Comunicado reage a denúncias de abusos sexuais e fala em «factos gravíssimos»

Évora, 12 jul 2022 (Ecclesia) – A Arquidiocese de Évora anunciou hoje a suspensão do pároco de Nossa Senhora da Oliveira, Samora Correia, até à conclusão da investigação canónica sobre a sua gestão de alegados casos de abusos sexuais, que envolvem um colaborador leigo.

“A Arquidiocese deplora esses factos gravíssimos e expressa aos menores, às famílias e às comunidades a sua dor profunda. A Comissão Diocesana para Proteção de Menores foi de imediato notificada para se encontrar com os pais, escutá-los, e oferecer-se para ajudar em tudo o que seja necessário”, indica uma nota enviada à Agência ECCLESIA.

“Por motivos cautelares, decidiu também o afastamento preventivo do pároco de todas as tarefas pastorais, até à conclusão dos procedimentos canónicos”, acrescenta o texto.

Segundo o comunicado, a Arquidiocese de Évora apenas tomou conhecimento no último dia 22 de junho “da prática, por um colaborador leigo da Paróquia de Nossa Senhora da Oliveira, Samora Correia, de dois atos enquadráveis como possíveis abusos sexuais sobre dois menores, um ocorrido em 2020 e outro em 2021”.

A Arquidiocese, dentro da sua competência, após conhecer os factos tomou medidas para proteger a Paróquia de qualquer ameaça aos menores e abriu uma averiguação interna ao sucedido para procurar que uma situação semelhante não se repita”.

O pároco, padre Heliodoro Nuno, terá tentado limitar as tarefas do suspeito, “mas sem êxito, tornando, infelizmente, possível a reincidência”.

“Os factos estão já a ser objeto de apreciação judicial, que permitirá conhecer a totalidade do que aconteceu. A arquidiocese colaborará com as autoridades civis em tudo o que for conveniente e respeitará as decisões da Justiça”, indica a nota.

A nota, enviada pelo Departamento de Comunicação da Arquidiocese de Évora, indica que a comunidade católica local “renova o compromisso de continuar este duro caminho de reconhecer a verdade, acompanhar as vítimas, colaborar com as autoridades, reforçar a prevenção”.

A 27 de junho, o Vaticano disponibilizou, online, uma versão atualizada do “vade-mécum” lançado em 2020, para ajudar os bispos e responsáveis de institutos religiosos no tratamento de denúncias de abusos sexuais de menores.

O documento preparado pelo Dicastério para a Doutrina da Fé (DDF) surgiu depois dos pedidos feitos durante a cimeira para a proteção de menores, que o Papa promoveu de 21 a 24 de fevereiro de 2019, no Vaticano.

Os 164 pontos explicam os procedimentos a seguir, desde a denúncia à conclusão da causa, falando numa “ferida profunda e dolorosa que pede para ser curada”.

O primeiro passo recomendado é uma investigação prévia, para determinar se a denúncia é verossímil, sublinhando que, mesmo onde a legislação não o torne obrigatório, a autoridade eclesiástica deve dar a conhecer o caso às autoridades civis competentes, “sempre que o considere indispensável para tutelar a pessoa ofendida ou outros menores do perigo de novos atos delituosos”.

OC

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