Coordenador do Grupo de Trabalho Inter-religioso (GTI) Religiões/Saúde fala num «contrassenso», em tempo de pandemia

Lisboa, 23 out 2020 (Ecclesia) – O coordenador do Grupo de Trabalho Inter-religioso (GTI) Religiões/Saúde, padre Fernando Sampaio considera que o “chumbo” ao referendo sobre a legalização da Eutanásia, na Assembleia da República, é “politicamente desastroso”.

“O chumbo, a meu ver, é politicamente desastroso, neste tempo em que o Serviço Nacional de Saúde (SNS) passa por tantas dificuldades em que doentes, idosos e mais frágeis economicamente e socialmente passam por impedimentos graves e injustos”, disse hoje o sacerdote à Agência ECCLESIA. 

O responsável destaca que o chumbo “abre as portas imediatas” à aprovação da eutanásia, o que considera  “desastroso” num momento em que há “gente a morrer sem cuidados de saúde” e não existe “rede de cuidados paliativos nem continuados”.

“Isto é um contrassenso, nesta altura de pandemia e em que o SNS passa por dificuldades terríveis e a meu ver parece dar conta de um certo desconforto por parte dos senhores deputados, parece que estão a dizer ‘quem tem o poder somos nós’”, refere.

O padre Fernando Sampaio diz ainda que os deputados afirmaram “um certo orgulho” em deter poder e, perante as 95 mil assinaturas a favor do referendo a que não fizeram caso, “é uma pena que tenham tido um orgulho demasiado exacerbado”.

Olhando o futuro, o sacerdote aponta que “é necessário continuar a lutar pela vida” e “tornar as pessoas conscientes dos seus direitos”.

“Consciencializar as pessoas que a vida não é um fardo mas que tem dignidade própria e intrínseca, que escolher a eutanásia não é acabar o sofrimento mas matar a vida”, remata. 

Foto: Lusa.
Jorge Humberto, da Aliança Evangélica, Fernando Sampaio, Coordenador do Grupo de Trabalho Inter-religioso (GTI), e José Nuno da Silva, porta-voz do GTI.

O Coordenador do Grupo de Trabalho Inter-religioso (GTI) Religiões /Saúde sente que agora há um “desafio enorme” de “ajudar as pessoas a discernir e olha a vida de outra forma” e acompanhar os mais mais frágeis.

“Sobretudo o desafio enorme de acompanhar os mais frágeis, os doentes, porque quando se sentem amados só querem viver; quando pedem a eutanásia é sinal que está a ser abandonado e descartado pelos cuidados”, concluiu.

A Assembleia da República Portuguesa rejeitou hoje a iniciativa popular para promover um referendo à eutanásia, que recolheu mais de 95 mil assinaturas.

O PS, o PCP, os Verdes, o BE, nove deputados do PSD e duas deputadas não inscritas votaram contra a proposta; o resto da bancada social-democrata (70 deputados) votou a favor, ao lado do CDS e do deputado da Iniciativa Liberal.

SN

 

 

 

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