Sacerdote salesiano defende o regresso de «alguma normalidade» na catequese, mas identifica vários «desequilíbrios»

Lisboa, 24 out 2020 (Ecclesia) – O padre Rui Alberto, sacerdote salesiano, alertou em entrevista à Agência ECCLESIA para a “exclusão dos frágeis” numa altura em que é necessário reatar alguma normalidade na catequese, promovendo a “proximidade e relação”.

Foto: Samuel Mendonça/Folha do Domingo

“Vamos seguindo as boas práticas e reatar alguma normalidade, com encontros presenciais, participações na Eucaristia e encontros mas o que se nota é os desequilíbrios, nem todas as paróquias, nem todos os catequistas têm os mesmos recursos ou salas para catequese para todos, por causa das limitações, sinto que há uma exclusão dos mais frágeis que me deixa preocupado”, explica. 

O sacerdote salesiano aponta o modelo misto, entre presencial e online, que introduz essas dificuldades, “como a discriminação entre as crianças e adolescentes e jovens que têm mais acesso e destreza nos telemóveis e computadores”.

“Com crianças mais pequenas não é assim… uma catequese que entra em casa, mas nem todas as casas estão disponíveis nem têm as condições para isso e choca com rotinas da família”, explica.

O diretor das Edições Salesianas refere ainda o “entendimento de catequese que se tem”, como forma de organização e valorização. 

“Se entendermos a catequese essencialmente cognitiva aí a passagem de ensino presencial a plataformas online não teremos de mudar muito, agora se entendes catequese como processo de iniciação cristã, no qual cada catequisando vai fazendo experiências, e isso acontece na mediação de grupo e na comunidade, não é muito fácil porque não há a dimensão física e de proximidade”, sustenta. 

O padre Rui Alberto não descarta este tempo como “oportunidade” mas assume que a catequese “exige forte interação” e o sucesso dos meios tecnológicos tornaram-se “bastante bons para criar alguma interação”. 

Há vida também nas redes sociais e, havendo vida, deve ser objeto de evangelização, aí descobrimos que temos perdido tempo e andamos à pressa a tentar fazer alguma coisa, mas agora o complicado é manter os fatores de qualidade”.

O conceito de ‘Igreja Doméstica’, recordado pelo “Papa Francisco e por alguns bispos portugueses”, em tempo de confinamento, foi ainda “interessante” segundo o entrevistado que dá o exemplo de famílias que se juntaram para ler a Palavra de Deus, numa “capacidade para rezar, discernir e sonhar caminhos novos”.

Quanto aos conteúdos desenvolvidos o padre Rui Alberto fala de uma “experiência exaustiva mas positiva” onde procuraram “utilizar outras linguagens, áudios, vídeos” e, desde o início têm “uma plataforma de aprendizagem online e só agora foram investindo mais tempo para a enriquecer”.

A Igreja Católica em Portugal está a promover, de 18 a 25 de outubro, a Semana Nacional da Educação Cristã.

A emissão dos programas Ecclesia (Antena 1, 06h00) e 70×7 (17h45, RTP2) do próximo domingo, dia final da Semana Nacional da Educação Cristã, são dedicadas a projetos no setor da Catequese.

HM/SN

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