Diretora da Obra Católica Portuguesa de Migrações refere diferentes experiências de acolhimento em Portugal

Foto: Lusa/EPA

Lisboa, 04 mar 2020 (Ecclesia) – Eugénia Costa Quaresma, diretora da Obra Católica Portuguesa de Migrações (OCPM), disse  hoje à Agência ECCLESIA que “usar os refugiados como peões não é solução” e que “não se pode criminalizar os gestos humanitários”, comentando a crise entre a Turquia e a União Europeia.

A responsável recorda o “pacto aprovado” entre as duas partes, no qual se fala de “resposta solidária e partilhada”, o que não está a acontecer.

“O que motivou a abertura das fronteiras da Turquia não é assim tão positivo e a União Europeia coloca isto como chantagem e usar os refugiados como peões não é solução”, refere Eugénia Quaresma.

“A solidariedade europeia não pode empurrar a gestão de fronteiras só para um país, é preciso solidariedade partilhada”, acrescenta.

A mudança de mentalidades é outros dos pontos que a diretora da OCPM defende, pedindo mais humanidade na abordagem dos políticos.

Há gente voluntária e de boa vontade a ajudar e não se pode criminalizar os gestos humanitários, é preciso trabalhar as mentalidades, a situação de refugiados não são rótulos permanentes, hoje são estes povos mas amanhã podemos ser nós  ou outros povos”.

Eugénia Quaresma recordou ainda que Portugal tem sido uma das vozes favoráveis ao acolhimento de refugiados e “tem feito a sua parte”, mas é preciso que “outros países façam o mesmo”.

“A Grécia está sobrecarregada e não é justo, é preciso boa vontade de outros países, respostas organizadas, boa vontade políticas e comunidades que se abram a esta realidade”, alerta.

 

As várias experiências de acolhimento de refugiados em Portugal leva a responsável a dizer que muito se aprendeu, “nomeadamente que é preciso que seja um acolhimento faseado e com profissionais preparados”. 

“Precisamos de profissionais preparados para acolher pessoas com diferentes histórias, diferentes traumas, é preciso tempo para estabilizar, e tempo de comunicação para retirar a pessoa da zona de conflito e depois passar para a fase de promoção da pessoa num diálogo entre o projeto e o sonho, para depois seguir para a inclusão”, explica. 

Eugénia Quaresma adianta que nas 20 dioceses portuguesas há “diferentes experiências de acolhimento de refugiados” e que a missão da Obra Católica passa pela sensibilização.

“Acredito que o nosso trabalho, enquanto Igreja, e é para aí que procuro animar os nossos secretariados diocesanos, é sensibilizar as comunidades para aquilo que são os nossos valores que não mudam, o valor da hospitalidade não mudou e é preciso acreditar”, destaca.

SN /OC

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