D. Andrés Carrascosa participou nas V Jornadas de Comunicação do Santuário de Fátima

Fátima, 17 abr 2026 (Ecclesia) – O núncio apostólico em Portugal lembrou hoje, em Fátima, que o pontificado do Papa Leão XIV é marcado desde o início por apelos à paz e espera que as acusações do presidente dos EUA sejam uma oportunidade para o mundo escutar a voz de Leão XIV.
“Acho que esta polémica pode ser uma situação para começar a escutar uma palavra que é profética, que é capaz de abrir, porque está a explicar-nos que é uma paz desarmada e desarmante. Desarmada porque não vai com armas e desarmante porque tem uma força das palavras que a outra parte muitas vezes fica sem argumentos”, afirmou D. Andrés Carrascosa.
Em declarações aos jornalistas, esta manhã, no final da intervenção nas V Jornadas de Comunicação do Santuário da Cova da Iria, o representante diplomático do Papa lembrou que há meses que Leão XIV deixa mensagens “enormes” ao mundo.
Agora surgiu o escândalo. Tudo bem se o escândalo serve para escutar um homem que está a falar com uma enorme profundidade pessoal, com uma capacidade de pensar e de conhecer o mundo muito grande, porque o Papa, não esqueçam, tem notícias do mundo todo quotidianamente.”
D. Andrés Carrascosa foi um dos oradores da conferência intitulada “Diplomacia da paz num mundo em conflito: da urgência à utopia?”, que integra o programa do encontro, com cerca de 120 participantes.
Perante os profissionais de comunicação, D. Andrés Carrascosa referiu que desde que chegou a Portugal, nas várias entrevistas que foi dando, deixou sempre a ideia de que os media não estavam a escutar o Papa, “porque não grita”.
“[Leão XIV] já estava a dizer estas coisas há meses e o mundo estava surdo”, indicou o núncio apostólico em Portugal, aludindo às mensagens pela paz.
“Papa Francisco tinha aquele carácter que atraía”, assinalou, acrescentando que “como o Papa Leão [XIV] não grita, não dá manchetes, não é um Papa para jornalistas”.
A conferência moderada pela jornalista da RTP/Antena1 Rosário Lira, contou também com a participação de João Vale de Almeida, antigo embaixador da União Europeia nos Estados Unidos da América, nas Nações Unidas e no Reino Unido.
O diplomata alertou que é preciso ter atenção quando se focam todas as “discussões” no chefe de Estado dos EUA, porque é isso que “ele também quer”.
“Quando estamos a falar desta troca de documentários entre o Presidente Trump e o Papa Leão XIV, estamos também a esquecer que há outros senhores da guerra neste mundo”, salientou, acrescentando que, em termos europeus, continua a considerar que “a maior ameaça” é Vladimir Putin, presidente da Rússia.
Sobre Donald Trump, João Vale de Almeida defende que o que está em causa “é uma questão de decência”, de “responsabilidade” e até de “inteligência política”.
“É evidente que é preciso que alguém diga que ‘isto não se faz, isto não se diz’. Certamente não se diz e não se faz em relação a um chefe de Igreja, uma grande Igreja, ou um líder moral, como é o Papa Leão XIV”, declarou.
Também o padre Angelo Romano, membro do Departamento de Relações Internacionais da Comunidade de Sant’Egídio, foi um dos oradores, destacando que “há uma ignorância absoluta” daquilo que foi o magistério do Papa até agora, no que respeita à condenação das guerras no mundo.
“Eu acho que a força da sua mensagem hoje é enorme e dá muita coragem a todos os artesãos de paz”, defendeu.
“É muito fácil pôr fogo numa sociedade, é muito fácil destruir, é muito mais complicado construir”, indicou o sacerdote.
Na intervenção, no Centro Pastoral Paulo VI, o padre Angelo Romano vincou que a “guerra não é agradável”, é “horrível” e uma “armadilha”.
Falando no papel da comunicação, João Vale de Almeida sublinhou que os conflitos vendem do ponto de vinda do dinheiro, ao contrário da paz.
“As boas notícias não passam”, expressou, enfatizando que é “muito difícil romper esta lógica, mas é preciso estar consciente dela”.
O diplomata advertiu os comunicadores que é preciso ter consciência que “ao decidir um título ou a abertura de um telejornal” está a fazer-se uma opção.
Já o padre Angelo Romano destacou que, num clima de guerra, a informação é “uma arma”.
“Os atores da comunicação os jornalistas, todos os que se ocupam da comunicação deveriam ser conscientes que a melhor resposta à propaganda de guerra é a história”, salientou.
Durante a tarde, o programa das V Jornadas de Comunicação do Santuário de Fátima inclui oficinas práticas sobre “Criar conteúdos com inteligência artificial: criatividade e eficiência”, “Falar em público: muito além das palavras” e “Podcasts: estratégia, conteúdo e audiência”.
LJ/OC
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