Papa apelou à reconciliação nacional, após ataque contra o Capitólio

Foto: Lusa/EPA

Lisboa, 20 jan 2021 (Ecclesia) – O presidente norte-americano Joe Biden tomou hoje posse em Washington, jurando sobre uma Bíblia do século XIX, como sucessor de Donald Trump.

O padre jesuíta Leo J. O’Donovan, ex-presidente da Universidade de Georgetown e amigo de Biden, fez a oração inaugural, com apelos à unidade do país e à defesa do bem comum, citando o Papa Francisco para destacar a importância de “sonhar juntos”.

A Conferência Episcopal dos EUA divulgou uma nota, após o anúncio da vitória de Joe Biden nas eleições presidenciais do país, em novembro, desejando que a nação defenda a “santidade da vida” e a liberdade religiosa e de consciência.

O texto é assinado pelo arcebispo de Los Angeles e presidente da Conferência Episcopal norte-americana, D. José H. Gomez, que convida todos os habitantes do país a “trabalhar unidos para realizar a bela visão dos missionários e fundadores dos Estados Unidos: uma nação sob Deus”.

Também em novembro, o Papa telefonou a Joe Biden, que “agradeceu a Sua Santidade por compartilhar a sua bênção e os seus parabéns”, indicou a campanha do novo presidente.

O responsável democrata destacou a liderança de Francisco na “promoção da paz, reconciliação e de laços fraternos e de humanismo em todo o mundo”.

Migrações, pobreza e alterações climáticas foram outros dos temas abordados, segundo comunicado da campanha de Biden.

O Vaticano referiu que o telefonema do Papa surgiu na sequência da mensagem da Conferência Episcopal dos Estados Unidos da América, que congratulou o “segundo presidente católico do país” – o primeiro foi de John F. Kennedy.

Horas antes de sua posse como o 46.º presidente dos Estados Unidos, Biden, acompanhado pela sua família, amigos e líderes congressistas de ambos os partidos, participou numa Missa, na Catedral de São Mateus, Apóstolo, em Washington.

O jornal do Vaticano, ‘L’Osservatore Romano’, dedica um artigo à transição de poder nos EUA, referindo que é tempo de “curar as feridas”.

“A necessidade de unidade nacional é amplamente sentida por todos os estadunidenses, também com a consciência de que somente se estivermos unidos poderemos enfrentar a pandemia e a grave crise económica que se seguiu”, refere o texto.

O jornal sublinha que a reconciliação nacional “será o maior desafio, especialmente na primeira fase da presidência de Biden”.

No último dia 10 de janeiro, o Papa Francisco apelou à “reconciliação nacional” nos Estados Unidos da América, após a invasão do Capitólio, enquanto os membros do Congresso estavam reunidos para formalizar a vitória do presidente eleito.

“Exorto as autoridades do Estado e toda a população a manter um alto sentido de responsabilidade, para que se voltem a serenar os ânimos, se promova a reconciliação nacional e tutelem os valores democráticos radicados na sociedade norte-americana”, declarou, após a recitação da oração do ângelus, na biblioteca do Palácio Apostólico do Vaticano, com transmissão online.

“Que a Virgem Imaculada, padroeira dos Estados Unidos da América, ajude a manter viva a cultura do encontro, a cultura do cuidado, como via mestra para construir juntos o bem comum. Que o faça com todos, com todos os que vivem nessa terra”, concluiu.

OC

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