«Manter milhares de famílias em enormes armazéns deveria pôr à prova a consciência de todos» – D. Brendan John Cahill

Washington, 23 fev 2026 (Ecclesia) – O presidente do Comité para as Migrações, da Conferência Episcopal dos Estados Unidos (USCCB, sigla em inglês), manifestou-se contra novos megacentros de detenção de migrantes e criticou o plano de Washington de duplicar o número de vagas disponíveis.
“A ideia de manter milhares de famílias em enormes armazéns deveria pôr à prova a consciência de todos os estadunidenses. Qualquer que seja o seu estatuto de imigrantes, eles são seres humanos criados à imagem e semelhança de Deus, e isso é um ‘ponto de viragem moral’ para o nosso país’”, disse D. Brendan John Cahill, bispo de Victoria (Texas/EUA), citado pelo portal online ‘Vatican News’ da Santa Sé.
O governo dos EUA, de Donald Trump, quer duplicar a capacidade de detenção federal para imigrantes, gastando cerca de US$ 38,3 bilhões do ‘reconciliation bill’ de 2025, para implementar outro modelo de detenção até o final de 2026.
O presidente do Comité para as Migrações da Conferência Episcopal dos Bispos Estados Unidos da América salienta que esse valor “equivale a quase cinquenta vezes o orçamento anual de todo o sistema judiciário de imigração”, e a “quase cinco vezes os fundos alocados este ano para a gestão do sistema prisional federal”.
Segundo D. Brendan John Cahill, o plano do governo prevê a abertura de oito “megacentros”, pelo menos, cada um com capacidade para prender entre 7 e 10 mil pessoas, e, “à parte, dos campos utilizados para deter os japoneses na década de 1940, tais instalações não têm precedentes na história dos Estados Unidos”.
“Medidas profundamente preocupantes: o governo federal não tem precedentes positivos em termos de detenção de um grande número de pessoas, especialmente famílias, e a magnitude da proposta dessas instalações é difícil de compreender. A indústria prisional privada é a que mais se beneficiará com esse aumento na detenção de imigrantes”, alertou o bispo de Victoria, no Texas.
O jornal ‘New York Times’, citando documentos do Departamento de Segurança Interna dos EUA, divulgou, no dia 18 de fevereiro, que o governo está a tentar adquirir cerca de vinte “depósitos para detenções”, com o objetivo de atingir um total de 92 mil e 600 vagas, e a abertura das novas instalações está prevista para 30 de novembro: na Geórgia, Maryland, Pensilvânia, Texas, Missouri, New Hampshire, Nova Jersey, Carolina do Norte, Tennessee e Utah.
A agência federal responsável pelo controle alfandegário e imigratório – Immigration and Customs Enforcement (ICE) – definiu isto como uma “necessidade”, para o ritmo previsto das suas operações de vigilância e detenção, em 2026, e após contratar mais de 12 mil agentes.
O presidente do Comité para as Migrações da USCCB pede ao governo e ao Congresso dos EUA que “ajam com retidão, abandonem esse uso indevido dos fundos dos contribuintes”.
“E procurem uma abordagem mais justa na aplicação das leis de imigração, que respeite verdadeiramente a dignidade humana, a sacralidade das famílias e a liberdade religiosa”, acrescentou D. Brendan John Cahill, que recordou que a Conferência Episcopal se opôs “inequivocamente às deportações em massa indiscriminadas”, em novembro de 2025.
Um relatório católico-evangélico de 2025 informa que as pessoas visadas pela ICE são católicas – seis em cada dez casos -, e 80% das pessoas em risco de deportação em massa fazem parte da comunidade cristã, recorda o sítio online ‘Vatican News’.
CB
