Daniela Ochoa Cordeiro, Diocese de Bragança-Miranda

«Vem e verás» (Jo 1, 46). É através deste mote que o Papa Francisco, na sua mensagem para o LV Dia Mundial das Comunicações Sociais, nos convida a refletir sobre a forma como os meios de comunicação produzem e transmitem o conteúdo informativo nos dias que correm e de como esse trabalho deve ser feito.

Sabemos que a opinião pública é formada, geralmente, através da informação difundida pelos meios de comunicação social e, posteriormente, partilhada (muitas vezes de forma viral) nas redes sociais. Há, assim, uma grande responsabilidade por parte de quem produz e transmite a informação, não esquecendo que todo e qualquer profissional da comunicação deve exercer o seu trabalho em prol da verdade e, para isso, cada facto e pormenor devem ser tidos em conta. Porém, a responsabilidade não está só do lado de quem produz a informação, mas também de quem a lê e partilha. Como nos diz o Papa Francisco, «todos somos responsáveis pela comunicação que fazemos, pelas informações que damos, pelo controlo que podemos conjuntamente exercer sobre as notícias falsas, desmascarando-as»[1]. Para que a informação transmitida esteja de acordo com aquilo que realmente aconteceu torna-se necessário ir ao encontro do acontecimento, falar com os intervenientes, observar com os próprios olhos e não ficar atrás de um computador à espera que a informação caia do céu. Os jornalistas são os olhos de quem lê, de quem recebe a mensagem. É necessário sair do conforto do escritório e ir em busca dos factos. O jornalista não pode permitir que o comodismo e o facilitismo se tornem no modus operandi do exercer das suas funções. Há que aprimorar a forma como a informação é captada e colocada cá fora, trabalhando a autenticidade e a originalidade através da captação de pormenores que só poderão ser observados com a deslocação ao local. E aqui não é só a comunicação verbal que conta. A comunicação não verbal assume uma extrema importância para quem observa in loco o sucedido. Aquilo que é observado transmite determinadas informações e sensações que irão ser importantes na hora de contar ao mundo aquilo que aconteceu.

Cada gesto conta. Cada pormenor conta.

Deus criou cada um de nós como seres únicos, completamente diferentes uns dos outros e, perante uma determinada situação, há sempre algo que notamos e que o outro não vê. Ver implica olhar e olhar implica estar. Ponham dois jornalistas no terreno a escrever sobre a mesma história e verão que o relato será diferente. Ou melhor, ponham dois jornalistas, um no terreno e outro na redação, a escrever sobre o mesmo acontecimento e depressa notarão a pobreza do segundo texto em relação ao primeiro. Não ir ao local e redigir a notícia apenas com a informação que vai chegando à redação através dos vários meios de comunicação pode originar fake news ou distorcer alguns factos. O mundo mudou e com ele a tecnologia. Este “sedentarismo” jornalístico é, em parte, causado pela evolução tecnológica que levou, e continua a levar, a um aumento do número de canais de transmissão de informação e a uma panóplia de ferramentas de pesquisa e partilha. Com a chegada e constante evolução da internet são-nos apresentados milhares de canais onde se pode obter informação imediata acerca de algo que tenha acontecido há instantes, sendo muito mais fácil replicar esta informação do que sair do conforto e viajar quilómetros para obter informação mais detalhada acerca do assunto. Há cinquenta anos o cenário era bem diferente. O jornalista era, na grande maioria das vezes, obrigado a deslocar-se até ao local para poder escrever a notícia, pois o telefone era o único meio de obter informação sem sair da redação. Mas novos tempos requerem novas exigências e se a tecnologia evolui todos temos de evoluir com ela sendo que o método de trabalho tem de acompanhar essa evolução, aproveitando o que de melhor a tecnologia pode oferecer em prol do desempenho de um bom trabalho e evitando cair no vicio do facilitismo.

Sabemos que nesta altura de pandemia não é fácil os profissionais deslocarem-se para obter informação e muitos acabam mesmo por não o fazer, levando a que esta problemática se acentue cada vez mais. Mas felizmente há outros que continuam a ir para o terreno, quer em situação pandémica, quer em situação de guerra, e isso é de louvar. É graças à coragem destes profissionais que conseguimos ter a informação adequada e atualizada durante estes períodos de crise. Para muitos deles o estar presente é mais do que um trabalho, é uma missão.

Na vida do cristão a presença é fundamental, ir ao encontro é fundamental. Temos de nos fazer presentes, tal como Jesus durante a sua caminhada terrena. Ele ia ao encontro daqueles que necessitavam dele. Ele entrou no túmulo de Lázaro para o trazer de volta à vida. Ele precisava de olhar nos olhos, de tocar, de sentir. E note-se que para sentir verdadeiramente é preciso estar. Ser cristão é estar presente: presente na Eucaristia, presente entre os irmãos, presente junto daqueles que mais precisam. Estar presente é missão! Também Jesus, embora não o vejamos, está sempre presente, sempre junto de nós e acompanha-nos quer na nossa vida profissional, pessoal ou espiritual. Aceitemos o seu convite: «vem e verás».

Daniela Ochoa Cordeiro, Mestre em Ciências da Comunicação e responsável pela Comunicação e Apoio ao Peregrino do Santuário diocesano do Imaculado Coração de Maria de Cerejais/Fundação Cónego Manuel Joaquim Ochoa.

Cerejais, 29 de abril de 2021

 

[1] In Mensagem do Papa Francisco para o LV Dia Mundial das Comunicações Sociais.

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