Fundação AIS financiou 5.368 projectos em 141 países no ano de 2025

A Fundação AIS recebeu, a nível global, 145,8 milhões de euros em donativos e legados ao longo do ano passado, e apoiou um em cada dez padres e um em cada oito seminaristas de todo o mundo. Em Portugal, 2025 revelou-se o melhor ano de sempre com um total de donativos a atingir os 4,268 milhões, o que significou um aumento, face a 2024, de quase 9%. “Uma vez mais, os nossos benfeitores mostraram uma extraordinária solidariedade e preocupação para com a Igreja que sofre no mundo”, diz a directora do secretariado nacional da fundação pontifícia.
Graças à generosidade de 363.176 benfeitores de todo o mundo, a organização católica Fundação AIS – Ajuda à Igreja que Sofre – conseguiu financiar 5.368 projectos em 141 países durante o ano de 2025. As receitas provenientes de donativos e legados ascenderam a 145,8 milhões de euros, permitindo à Fundação AIS responder positivamente a milhares de pedidos de ajuda de comunidades cristãs necessitadas, apoiando o trabalho pastoral, programas de formação, a construção de infraestruturas eclesiais e a assistência de emergência em algumas das regiões mais vulneráveis do mundo. A nível global, a Índia foi o país que recebeu mais apoio da Fundação AIS em 2025, seguido pela Ucrânia, pelo Líbano e pela Síria. Esta ajuda contribuiu para sustentar comunidades cristãs confrontadas com discriminação, perseguição, guerra e graves dificuldades económicas. “Sem os nossos benfeitores, nada disto seria possível. Graças à sua generosidade, a Igreja conseguiu continuar a ser um sinal de esperança para milhões de pessoas que vivem em contextos de pobreza, guerra, discriminação e perseguição”, afirmou Regina Lynch, presidente executiva da Fundação AIS. Entre as áreas mais significativas deste apoio destacou-se a assistência a 40.207 sacerdotes através da concessão de 1.887.721 estipêndios de Missa, beneficiando aproximadamente um em cada dez sacerdotes em todo o mundo. Este é o valor mais elevado alguma vez registado pela Fundação AIS num ano. Para muitos sacerdotes em países pobres ou em zonas de conflito, este apoio permitiu-lhes continuar o seu ministério e garantir o seu sustento básico. A instituição apoiou também a formação de 13.368 seminaristas, o que equivale a um em cada oito futuros sacerdotes no mundo.
África, continente em foco
África representou a maior parte deste apoio, com mais de 8.300 seminaristas a receberem assistência, reflectindo o crescimento da Igreja em todo o continente. Além disso, cerca de 20.000 religiosas beneficiaram directa ou indirectamente de projectos financiados pela Fundação AIS, incluindo apoio à formação, ajuda de subsistência, projectos de construção e meios de transporte. A Fundação AIS distribuiu também 520.816 livros religiosos em todo o mundo, incluindo mais de 111 mil exemplares de Bíblias e Novos Testamentos, e mais de 214 mil publicações da série YOUCAT. Em termos geográficos, África recebeu a maior parte da ajuda da Fundação AIS, representando 34,5% do total. A propagação do terrorismo islâmico, as deslocações forçadas e o rápido crescimento das comunidades cristãs explicam esta prioridade. Em países particularmente afectados pela violência, como o Burquina Fasso, o Níger e o Mali, o apoio aumentou significativamente durante o ano passado. O Médio Oriente recebeu 17,1% do total da ajuda. O Líbano, a Síria e o Iraque estiveram entre os países que receberam maior apoio da instituição em 2025. Mais de 80% de toda a ajuda de emergência prestada pela Fundação AIS a nível mundial foi direccionada para esta região, devido aos conflitos armados em curso e às suas consequências humanitárias. A Ásia e a Oceânia receberam 19% do total da ajuda, enquanto a América Latina recebeu 16,4%, principalmente para fazer face a desafios como a escassez de sacerdotes, a migração em grande escala e as dificuldades enfrentadas pela Igreja em muitos países da região.
Construção e renovação de igrejas
Para além de apoiar a formação e a subsistência do clero, a instituição financiou centenas de projectos para a construção e renovação de igrejas, seminários, conventos e centros pastorais, bem como programas de formação para catequistas e leigos empenhados, que desempenham um papel essencial em áreas onde os sacerdotes são escassos. O Relatório Anual, aprovado pelo Conselho de Supervisão da Fundação AIS durante a sua assembleia em Roma, a 25 de Junho, e auditado pela PwC, revela que 78,7% das despesas totais foram dedicadas a actividades relacionadas com a missão. Dentro desta categoria, 83,4% financiaram directamente projectos, enquanto os restantes 16,6% apoiaram actividades de informação, formação na fé e defesa dos Cristãos que sofrem e são perseguidos. As despesas administrativas representaram 8,5% do total das despesas, enquanto 12,8% foram destinados à assistência aos benfeitores e à angariação de fundos.
Melhor ano de sempre em Portugal
Em Portugal, a solidariedade dos benfeitores e amigos da Fundação AIS atingiu, no ano passado, o valor recorde de 4 milhões e 268 mil euros, o que representa um crescimento de 8,7% em relação a 2024. Para a directora do secretariado nacional da instituição, estes valores revelam novamente que os benfeitores portugueses são excepcionais quando o que está em causa é socorrer os mais necessitados, socorrer os cristãos que são perseguidos no mundo. “Uma vez mais, os nossos benfeitores mostraram aqui em Portugal uma extraordinária solidariedade e preocupação para com a Igreja que sofre”, diz Catarina Martins de Bettencourt. “E esta solidariedade é ainda mais relevante pelo facto de muitos dos nossos benfeitores serem pessoas humildes, que vivem com dificuldades. No entanto, nunca deixaram de se preocupar com os Cristãos que são perseguidos por causa da sua fé, rezando por eles e ajudando a construir todos os dias esta cadeia de solidariedade que é única no mundo e que dá pelo nome de Ajuda à Igreja que Sofre”, diz ainda Catarina Bettencourt. “Face aos resultados obtidos no ano passado, só tenho mesmo de dizer muito obrigada a todos, em nome da Fundação AIS em Portugal e também em nome dos Cristãos que são perseguidos, que vivem sobressaltados por causa das guerras, do terrorismo e da pobreza. O meu muito obrigada é também para todos os padres e religiosas que estão nos lugares mais perigosos do mundo, para serem aí testemunhas do carinho de Deus”, conclui a directora do secretariado nacional da fundação pontifícia. Tendo nascido em 1947, a Fundação AIS é uma fundação pontifícia que apoia a missão pastoral da Igreja em todos os lugares onde os Cristãos sofrem perseguição, discriminação ou carecem dos recursos necessários para viver e partilhar a sua fé.
Paulo Aido
