Joaquim Pinheiro, Diocese do Funchal

O tempo da Páscoa carrega várias mensagens. Uma delas é a da esperança, conceito que foi aprofundado por Bento XVI na Encíclica Spe Salvi. Vivemos, sem dúvida, momentos em que desejamos voltar a viver para a vida. Enquanto cristãos não temos mais certezas sobre o futuro do que os outros, mas podemos recorrer a algo que estrutura essa ambição em continuar o caminho: a fé.

Ter fé é também um acto de desafio e de questionamento. A fé precisa de tempo e paciência para se (re)pensar e espantar com as coisas que nos rodeiam, enquanto vivência interior e, simultaneamente, força que impele à acção. Como numa entrevista o Cardeal Tolentino Mendonça afirmou: “hoje, mais do que uma crise do crer, há uma crise do pertencer”. Na nossa imperfeição, enquanto membros de um povo que caminha, a fé ajuda-nos a renovar a esperança. Sentindo que pertencemos, mais facilmente saberemos quem somos e como podemos ser minúsculas sementes de vida e paz na nossa sociedade. Como essa semente, a esperança pode ser, muitas vezes, pequena, mas é a virtude silenciosa que nos faz acreditar.

E também acreditar exige tempo e coragem. Lemos na Bíblia como Jesus desafia crentes e não crentes a ouvir. De facto, primeiro é preciso escutar e ter a mente aberta para receber. Já agora, também temos de aprender a observar ou a sentir a forma subtil como Deus nos comunica. Diria, se me é permitido, que a retórica de Deus é muito polivalente! Nesse aspecto, S. Paulo é um extraordinário exemplo pela forma como experienciou os sinais e, depois, transformou o seu caminho.

Continuemos, assim, a manter a esperança na semente que espera pelo sol para germinar.

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