No início do ano letivo, escolas em Aveiro, Porto e Lisboa referem adaptações para cumprir plano de contingência

Lisboa, 14 set 2020 (Ecclesia) –  O diretor do Colégio dos Salesianos do Porto, padre José Cordeiro, disse à Agência ECCLESIA que os alunos voltaram “cheios de saudades”, defendeu que é necessário fomentar  “alguma normalidade” e cumprir “as medidas de precaução necessárias”.

“Vamos tentar ter alguma normalidade porque foram tempos perturbadores para os jovens e vamos tomar as precauções necessárias; os alunos estavam cheios de saudades uns dos outros, querem abraçar-se, sentem muita falta de estar próximos”, conta o sacerdote salesiano.

O início do ano letivo nos Salesianos do Porto “começou bem, desde a passada quinta-feira”, e os alunos aceitaram bem as novas regras. 

“A escola preparou-se, o refeitório e o bares estão cheio de acrílicos, separámos os ciclos para criação das tais bolhas, procurámos dividir a escola para que não se encontrem e há desfasamento de horários”, precisa. 

Apesar das novas regras o padre José Cordeiro aponta que é necessário procurar “um bem estar integral dos alunos” e decidiram não limitar o tempo de recreio nem o tempo “dito normal de estar na escola”.

A escola, do jardim de infância ao 12º ano, procura dar “passos importantes para os jovens não cresçam com medos”.

“Os jovens não podem crescer com estes medos, quase a ter medos uns dos outros ou de quem possa estar contaminado…”, refere. 

O padre José Cordeiro recorda que o patrono dos salesianos, São João Bosco, que também “viveu uma pandemia, teve de enfrentar e estar na linha da frente” e por isso  defende que “é preciso aprender a conviver e deixar-se contagiar pela esperança”.

“Temos de confiar e ter otimismo quanto aos jovens, são eles que vão tocar as redes do futuro e temos de esperar que eles sejam homens de esperança, porque já sabemos que um dos piores vírus é o egoísmo”, remata.

“Um acolhimento diferente” no Colégio São João de Brito

A manhã desta segunda-feira ficou marcada pelo regresso dos alunos dos início de ciclo, 1º, 7º e 10º anos, “apenas um terço dos alunos” mas que foram acolhidos de forma especial.

“Com a ajuda da pastoral criámos um espaço de acolhimento diferente porque estiveram muito tempo longe da escola e tinha de ser um momento diferente, entravam e tinham um circuito com balões, um chocolate, foi um acolhimento diferente e ficaram contentes”, contou à Agência ECCLESIA Pedro Valente, diretor pedagógico do Colégio São João de Brito, em Lisboa.

O ano letivo arranca esta terça-feira com cerca de 1470 alunos a voltar ao Colégio, o “grande teste” que o diretor acredita que todos estejam à altura.

“É uma aprendizagem para nós, fizemos simulações, definimos modelo teórico e só esta semana é que vamos testar e analisar o que vão ser estes dias, em particular com o período do almoço que parece ser o momento mais crítico”, assume. 

Numa fase de “muitas explicações e regras” o Colégio teve de adaptar “algumas práticas” de movimentações e alocação de espaços e o mais preocupante são os “momentos de refeição onde teve de haver diferenciação de horários de almoço”. 

“Temos 1470 alunos, com jardim de infância e 1º ciclo num bloco e todos os outros noutro bloco, tivemos de destinar espaços no recreio e depois destinar portas de entrada e saída”, explica. 

Pedro Valente fala do “feedback positivo dos pais” e da muita informação que é necessário fazer-lhes chegar “para o bem de todos”, e os alunos chegaram “com saudades”.

“Quando saem das aulas é difícil manter o distanciamento porque estão cheios de saudades e contentes por estarem ali, algumas máscaras saem do lugar, e nós, educadores, vamos corrigindo algumas circunstâncias mas a avaliação tem sido positiva e a aceitação também”, destaca. 

O diretor fala ainda de muito trabalho acrescido aos educadores na “higienização dos espaços” e da necessidade de palavras de esperança em tempos “difíceis e tão exigentes”.

“Os tempos são difíceis e tão exigentes, aqui no colégio que damos importância ao contacto individual e acompanhamento individual do aluno e educadores que exige proximidade e partilha, implementar um plano que põe travão a isso é um desafio para todos nós e pode ser elemento de abatimento psicológico e espiritual”, salienta o responsável.

Com esta preocupação Pedro Valente destaca a presença dos sacerdotes jesuítas “que descem e recebem os alunos”.

“Aconteceu hoje e vai ser no início do ano os sacerdotes vão estando e falando com os alunos, tomam o pulso e sabem como se sentem, além disso é bom para perceber como foi o tempo de confinamento, se houve casos próximos e o mais importante nesta medida é dar esperança”, assume. 

O colégio diocesano “continua” a ter uma sala para cada turma

O Colégio Nossa Senhora da Apresentação, na diocese de Aveiro, arranca com o ano letivo esta sexta-feira, “com uma sala para cada turma”. 

“Já desde julho que preparamos este regresso, temos um espaço escolar amplo e definimos espaços diferentes para os alunos, divididos por ano, além disso cada turma tem uma sala de aula, o que já acontecia na forma como funcionamos”, explica à Agência ECCLESIA o diretor Luís Oliveira.

O responsável referiu que “há poucas vezes que os alunos terão de se cruzar” no espaço escolar, como as horas de almoço que se “tornam uma preocupação”.

“É impossível fazer de outro modo, os professores conduzem os alunos até ao refeitório, haverá sempre algum cruzamento de alunos, que se deseja ordenado”, afirma. 

O diretor do Colégio refere ainda que as mesas que “habitualmente serviam para seis alunos só vão ser usadas por três alunos”, o que limita o refeitório a um terço da capacidade, e que os recreios vão estar limitados.

Com todas as medidas de higienização de mãos e calçado preparados o colégio apenas vai ter “receção presencial aos alunos do 5º ano, que iniciam ali o seu percurso escolar e precisam de conhecer”, todos os outros alunos e encarregados de educação terão “reuniões através das plataformas online”.

Luís Oliveira destaca ainda que o estabelecimento de ensino se depara com “docentes e não docentes com problemas de saúde que inspiram cuidados acrescidos” mas se mostraram “disponíveis para voltar e trabalhar”. 

“Meio ano depois a esmagadora maioria dos alunos volta ao colégio e queremos perceber o estado emocional dos alunos, passar esta mensagem de confiança e precisamos de os contagiar com a esperança que tudo corra bem”, aponta.

O responsável disse ainda confiar com os habituais “empenho, colaboração e responsabilidade dos alunos bem como de toda a comunidade educativa” perante este tempo novo.

SN

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