Espanha: Papa exige resposta global para «trágico drama migratório»

«É indispensável uma resposta coordenada, solidária e eficaz, capaz de garantir proteção, acolhimento e oportunidades reais de integração a quem emigra» – Leão XIV

Foto: Lusa/EPA

Madrid, 08 jun 2026 (Ecclesia) – O Papa apelou hoje, no Parlamento espanhol a uma resposta global para as migrações e exigiu a criação de” rotas seguras” para quem procura condições dignas de vida.

“A afirmação da dignidade humana não pode permanecer abstrata quando tantas pessoas são obrigadas a deixar tudo para trás em busca de paz, segurança e um futuro. Também o trágico drama migratório interpela hoje a consciência das nações e os fundamentos éticos da ordem internacional”, disse Leão XIV, perante os membros do Congresso dos Deputados e do Senado, reunidos numa sessão conjunta, em Madrid.

A primeira intervenção de um Papa no Congresso dos Deputados de Espanha rejeitou uma abordagem estritamente demográfica ou económica à situação dos migrantes e refugiados, pedindo uma resposta que se “centre nas pessoas, que enfrente as causas que as obrigam a partir e que vá além da mera gestão dos fluxos”.

Daí surge uma dupla exigência de justiça social: oferecer vias seguras e legais, um acolhimento respeitoso e possibilidades reais de integração; e promover, ao mesmo tempo, o direito de permanecer na própria terra, trabalhando para que ninguém tenha de abandonar o seu lar por falta de paz, segurança ou condições dignas de vida, entre as quais as desigualdades económicas e os efeitos da crise climática.”

A reflexão reclamou um combate efetivo às desigualdades económicas e aos efeitos da crise climática.

“Inúmeros homens, mulheres e crianças são obrigados, por circunstâncias muitas vezes dramáticas, a abandonar as suas comunidades e a deixar para trás entes queridos, histórias e laços”, observou.

Perante os responsáveis políticos de Espanha, o Papa denunciou a exploração nas rotas internacionais, recordando que “muitas pessoas continuam a ser presas de traficantes e contrabandistas que se aproveitam do seu desespero”.

“Nenhuma nação pode enfrentar sozinha um desafio desta magnitude. Por isso, é indispensável uma resposta coordenada, solidária e eficaz, capaz de garantir proteção, acolhimento e oportunidades reais de integração a quem emigra”, assumiu Leão XIV, pedindo uma cooperação multilateral focada na prevenção e no resgate das vítimas do tráfico humano

A intervenção assinalou a importância de uma resposta institucional “próxima, justa e coordenada”, que respeite a dignidade humana.

Quando uma pessoa é discriminada pela sua origem nacional, étnica, religiosa ou linguística, ou pela sua condição económica ou social, viola-se gravemente o princípio universal da igual dignidade de todos os seres humanos.”

O discurso no Palácio das Cortes assumiu a importância histórica do momento.

“A minha presença entre vós pretende ser um gesto de proximidade para com a Espanha, no âmbito da cooperação mútua, e uma palavra oferecida a partir do serviço à pessoa humana”, referiu o Papa.

O programa oficial do pontífice arrancou esta manhã na Nunciatura Apostólica com um encontro privado entre Leão XIV e o presidente do Governo de Espanha, Pedro Sánchez.

A deslocação ao Palácio das Cortes incluiu a execução dos hinos nacionais e a assinatura do Livro de Honra, antes da receção formal pelos presidentes do Congresso e do Senado, no hemiciclo.

O Papa iniciou no último sábado a sua primeira visita à Espanha, que passa ainda por Barcelona e pelo arquipélago das Canárias, até 12 de junho.

OC

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