Milhares de pessoas participaram em encontro num estádio de futebol

Foto: Lusa/EPA

Kosice, Eslováquia, 14 set 2021 (Ecclesia) – O Papa presidiu hoje a um encontro com milhares de jovens da Eslováquia, no Estádio Lokomotiva, em Kosice, leste do país, que desafiou a assumir um modelo de vida inspirado nos valores cristãos.

“Os grandes sonhos não são o carro potente, o vestido da moda ou as férias extravagantes. Não deis ouvidos a quem vos fala de sonhos e, em vez disso, vende ilusões”, disse, perante uma multidão que o saudou com entusiasmo.

Francisco percorreu o local em papamóvel, à sua chegada, durante largos minutos, tendo depois ouvido o testemunho de três jovens e uma saudação do arcebispo de Kosice.

“Amigos, não banalizemos o amor, porque o amor não é só emoção e sentimento; isto, quando muito, será o início. O amor não é ter tudo e já, não obedece à lógica do usa e deita fora. O amor é fidelidade, dom, responsabilidade”, referiu, em italiano, numa intervenção traduzida com a ajuda de ecrãs gigantes colocados em vários pontos do recinto.

O Papa convidou os jovens a rejeitar a “cultura do provisório” para “ir além do instinto e do instante, é amar por toda a vida e com todo o próprio ser”.

A intervenção evocou a figura da Beata Ana Kolesárová, “uma heroína do amor”, assassinada em 1944 por um soldado soviético, ao resistir a uma tentativa de violação.

“Ela diz-nos para apostarmos em metas altas. Por favor, não deixemos passar os dias da vida como episódios duma telenovela”, apelou Francisco.

Cada qual é um dom, e pode fazer da vida um dom. Esperam-vos os outros, a sociedade, os pobres. Sonhai uma beleza que vá para além da aparência, para além das tendências da moda”.

Francisco declarou que cada jovem é “único” aos olhos de Deus, convidando-os a “ter a ousadia de decisões grandes”.

“Cheios de mensagens virtuais, corremos o risco de perder as raízes reais. Desligar-nos da vida real, fantasiar no vazio, não faz bem; é uma tentação do maligno”, advertiu.

O Papa reforçou o seu convite a promover o diálogo entre gerações, particularmente com os avós, para manter vivas as “raízes” das famílias.

A intervenção concluiu-se com um apelo à Confissão, pedindo que todos descubram a alegria do perdão de Deus.

“Desejo-vos esta alegria, mais intensamente do que qualquer outra coisa. Desejo que a leveis aos vossos amigos. Não sermões, mas alegria. Não palavras, mas sorriso, proximidade fraterna”, realçou Francisco.

A 34ª viagem internacional do pontificado começou este domingo, em Budapeste, onde Francisco encerrou o Congresso Eucarístico Internacional, e encerra-se esta quarta-feira com a Missa no Santuário Nacional de Sastin, na Eslováquia.

OC

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