Foto: Agência ECCLESIA/MC

O sorriso de Carlota Paupério Silva ensina que tudo o que se vive na vida é caminho: das fraquezas faz forças e do pouco multiplica em momentos de simplicidade e alegria. Fisioterapeuta de vocação e profissão, Carlota é também mãe de seis filhos, «uma já no céu», que veio com uma missão de ensinar a família a confiar e a entregar. Diariamente assume um «sim» com o marido José, para juntos continuarem um caminho iniciado quando se conheceram num campo de férias em Rabo de Peixe.

«Desde pequena que lido com a morte num sentido muito próximo e real. A vida eterna para mim é muito real. Não tenho memória do meu pai, tenho mais memórias construídas com histórias que me contam, mas o meu pai sempre esteve presente, há uma relação para além das fotografias. Isto fez-me perceber o quão importante é o presente. É bom sonhar e projetar o futuro, mas há coisas que têm de ser vividas agora»;

«Há muita gente que tem problemas com a Igreja fruto de maus encontros, mas quando isso acontece podemos ir à procura de outro lugar. Se a comunidade, onde moramos não nos é casa – porque é casa para outros – tem a ver com linguagem, com forma de estar até com a fase da vida em que estamos e com o que precisamos, podemos sempre ir à procura de outros encontros»;

«Quando conheci o José estava em discernimento vocacional. É um tabu muito grande. A sociedade tem um calendário social. O discernimento devia ser obrigatório principalmente para quem casa, porque o matrimónio deve ser uma vocação, não um passo social. Quando o José chegou à minha vida achei que era um grande amigo, e achei ótimo, e só depois quando me percebi apaixonada, percebi que o caminho já seria outro, porque não vi um apoio mas um companheiro de caminho»;

«Os filhos não são nossos, são-nos emprestados, confiados, e é-nos pedido para os acompanhar na sua missão, não na nossa, nós temos outra. Ainda não descobri qual a sua missão no mundo – a sua vida ainda está a acontecer – mas já descobri algumas missões deles comigo. A Graça veio dar-nos missão também. Ensinar-nos a confiar, e a pedir o dom da confiança, da entrega, de perceber que até podemos não perceber porque é que ela morreu, mas podemos transformar a pergunta num ‘para quê?’ e perguntar à Graça e ir descobrindo esta resposta».

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