Miguel Oliveira Panão (Professor Universitário), Blog & Autor

Será que fé e ciência se chocam? Sem dúvida! Mas talvez não seja da maneira como muitas pessoas pensam.

Há muitos amores à primeira vista que começam com um choque e duram uma vida inteira. Os casais muitas vezes chocam-se, sobretudo na maneira de ser e naquilo que pensam, e não é por isso que deixam de construir uma relação duradoira. Muito pelo contrário, é graças a essa diversidade que encontram com paciência um equilíbrio maior.

O mesmo acontece na relação entre fé e ciência.

Os choques entre as explicações científicas e a experiência de fé são umas vezes encontros inesperados, noutras vezes, esperados, mas são sempre encontros. E há mais criatividade nestes encontros do que podemos pensar à partida. Porém, nem sempre é assim para algumas pessoas. E podemos voltar a pensar nos casais.

O que acontece quando um casal perde a capacidade de comunicar ao outro o seu ponto de vista? E quando é um dos dois a impôr a sua visão? Podemos deixar de nos falar, separamo-nos, divorciamo-nos e quem vai a fundo nas razões para a divisão entre os casais encontra, frequentemente, uma falta de comunicação, ou de uma escuta sincera, ou ainda de um desvio significativo em relação àquilo que o outro disse ou quis dizer.

O mesmo se passa com a ciência e a fé.

Quando desistimos da capacidade de comunicar as nossas ideias e experiências, podemos encontrar a contradição que leva à divisão, em vez da escuta sincera que nutre o encontro.

Se víssemos a relação entre ciência e fé como um choque criativo, um encontro de amor, perceberíamos melhor o fruto da criatividade destes dois domínios da nossa vida. Uma compreensão maior proveniente do jogo de pensamentos como actos de amor e dádiva para uma maior compreensão do mundo que nos rodeia.

Da próxima vez que vires um contraste entre ciência e fé, abraça-o e não percas a oportunidade de o viver como o choque criativo que potencia pensamentos novos e inesperados.

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