Margarida Alvim

Que força criadora tão forte terá atravessado a surdez de Beethoven, na composição do Hino à Alegria, assumido como Hino da Europa? Neste tempo de redefinir quem nos representará no Parlamento Europeu, qual o nosso Hino da Alegria?

A Alegria é a marca forte e inconfundível deste tempo pascal, que de tão grande e profunda, se estende por 50 dias depois da Páscoa. Alegria que se pode traduzir em Paz, em Amor, Solidariedade e Justiça, valores intrínsecos à constituição europeia. A Alegria é também um tema muito sublinhado pelo Papa Francisco, o qual tem vindo a declinar nos principais documentos (A Alegria do Evangelho, do Amor). “O bem tende sempre a comunicar-se. Toda a experiência autêntica de verdade e de beleza procura, por si mesma, a sua expansão; e qualquer pessoa que viva uma libertação profunda adquire maior sensibilidade face às necessidades dos outros. E, uma vez comunicado, o bem radica-se e desenvolve-se. Por isso, quem deseja viver com dignidade e em plenitude, não tem outro caminho senão reconhecer o outro e buscar o seu bem.” (A Alegria do Evangelho, nº9, Papa Francisco).

A Alegria marca simbolicamente a União Europeia. O hino da União, extraído do «Hino à Alegria» da Nona Sinfonia de Ludwig van Beethoven, integra os Símbolos da União, juntamente com a bandeira, adotada a 26 de maio de 1986, pelas Comunidades Europeias. O lema da União é: «Unida na diversidade», base de uma Europa mais justa e interdependente, onde todos contam e têm lugar, onde a Alegria é uma marca identitária. Lema que nasce de um desejo profundo de construir a Paz, depois de uma guerra fratricida. O que nos diria hoje Robert Schuman, intitulado “Pai da Europa” pelo Parlamento Europeu, do qual foi primeiro Presidente? Como estamos a cuidar da Paz que herdamos e que damos por garantida?

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