Catarina Sá Couto, da Igreja Lusitana (Comunhão Anglicana), destaca que «os cristãos param de setembro, a 4 de outubro, para refletir sobre a criação»

 

Lisboa, 30 ago 2021 (Ecclesia) – Os cristãos são convidados a viver e celebrar o ‘Tempo da Criação’ 2021, com o tema ‘Uma casa para todos? Renovando o Oikos de Deus’, que começa num dia de oração, a 1 de setembro, até 4 de outubro.

“O tema vem propor este olhar da terra como uma casa comum, na ideia bíblica de que todos estamos sob o mesmo teto, todos estamos sob a mesma casa, e isso faz também de nós uma mesma família”, disse João Luís Fontes, da Rede ‘Cuidar da Casa Comum’, projeto ecuménico que envolve várias instituições, organizações, obras e movimentos católicos e cristãos.

No Programa ‘Ecclesia’, transmitido hoje na RTP 2, o responsável salientou que esta imagem une “duas dimensões muito caras” ao discurso do Papa Francisco – “os pobres e a própria casa comum, a terra” – como tudo pressupõe “relações justas, fraternas e que moldam a economia, a sociedade, os hábitos comuns mas também a conversão pessoal”.

Catarina Sá Couto, da Igreja Lusitana (Comunhão Anglicana), afirma que “todos os cristãos podem estar orgulhosos” por este mês da criação porque é um movimento que “está por todo o mundo e todos os cristãos param de setembro a 4 de outubro para refletir sobre a criação”.

“Podemos estar todos de parabéns porque neste ecumenismo que se reúne à volta da criação e esta ideia de Deus criador, que é comum a todas as confissões, a todas as denominações mas também às religiões; E o cuidado com esta terra que tudo nos dá, é comum a todo o ser humano porque dependemos da terra”, desenvolveu a jovem, a viver uma experiência na comunidade de Santo Anselmo, em Inglaterra.

O ‘Tempo da Criação’ 2021 tem como imagem a tenda de Abraão que acolhe três forasteiros, que eram três anjos de Deus., e vai terminar a 4 de outubro, ’ quando a Igreja Católica celebra a festa litúrgica de São Francisco de Assis.

“Uma imagem para falar da hospitalidade e da necessidade de perceber que é uma casa para todos e não apenas para alguns, denuncia as desigualdades e os recursos beneficiarem uma percentagem pequena da população mundial”, explicou João Luís Fontes, destacando também “a tenda associada à ideia da peregrinação, e a libertar as comunidades da ideia de posse”.

O membro da comissão executiva da Rede ‘Cuidar da Casa Comum’ destaca que é “rico” este ‘Tempo da Criação’, e são promovidas muitas iniciativas para “alertar o conjunto das Igrejas Cristãs” a refletirem sobre esta consciência de pertença “à mesma casa”, e que, na mesma casa, “à mesma família humana”.

A rede pela sua “natureza própria” vai dar “alguns subsídios para a oração universal ao longo dos domingos, propostas de homilias, uma «Lectio»  a partir dos textos bíblicos” que pode inspirar a meditação e a partilha de grupo.

O responsável adianta estar a ser organizado o “grande encontro da rede ‘Também somos terra’, no dia 19 de setembro, em Palmela, de partilha e reflexão, por exemplo, a nível ecuménico sobre o memorando de entendimento que assinaram a 12 de junho, na Catedral de São Paulo, da Igreja Lusitana (Comunhão Anglicana).

O memorando de entendimento para o desenvolvimento do programa ‘Eco Igrejas Portugal’ foi assinado pelo Conselho Português das Igrejas Cristãs (COPIC), a Conferência Episcopal Portuguesa (CEP), a Aliança Evangélica, a ONG ‘A Rocha’ e a Rede ‘Cuidar da Casa Comum’ que vão dar apoio à viabilização do programa.

O ‘Tempo da Criação’ começa com um Dia Mundial de Oração pela Criação, que o Papa Francisco instituiu na Igreja Católica em 2015, uma data que o patriarca ecuménico Dimitrios I proclamou para os Ortodoxos em 1989.

HM/CB

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