Celebração nacional uniu representantes de várias Igrejas, no Porto

Porto, 23 jan 2023 (Ecclesia) – D. Manuel Felício, bispo da Guarda, afirmou que o diálogo ecuménico, com “iniciativas e preocupações” comuns, deve ser uma preocupação “constante” nas comunidades católicas.

“Que a dinâmica do ecumenismo se estenda o mais possível às nossas comunidades, para que esta não seja uma preocupação de uma semana, por ano, mas seja uma preocupação constante”, realçou à Agência ECCLESIA o responsável do Departamento do Diálogo Ecuménico da Comissão Episcopal Missão e Nova Evangelização.

De 18 a 25 de janeiro, milhões de cristãos em todo o mundo assinalam anualmente a Semana de Oração pela Unidade, iniciativa que tem este ano propostas vindas dos EUA, sobre as questões do racismo e da discriminação.

Falando antes da celebração nacional que marcou esta iniciativa, na Igreja Metodista do Mirante (Porto), este sábado, D. Manuel Felício alertou para as “intolerâncias” que existem na sociedade portuguesa.

“A unidade é um valor, conjugado com as diferenças, e temos aqui a riqueza que precisamos de promover. Desfazer identidades é empobrecer as pessoas e as sociedades”, assinalou.

“Temos de viver com pluralismo”, acrescentou o bispo da Guarda, destacando a responsabilidade própria da Igreja Católica, enquanto confissão maioritária em Portugal.

O responsável elogiou a “história” das relações ecuménicas no Porto, onde se encontram “bastante consolidadas”.

“Precisamos que a presença de cooperação entre as Igrejas seja transversal a todas as nossas vivências da fé”, sustentou D. Manuel Felício.

O ‘oitavário pela unidade da Igreja’, hoje com outra denominação, começou a ser celebrado em 1908, por iniciativa do norte-americano Paul Wattson, presbítero anglicano que mais tarde se converteu ao catolicismo.

Na celebração nacional que, este ano, decorreu no Porto, a pastora Sandra Reis, presidente da Igreja Evangélica Presbiteriana de Portugal, destacou a importância de “estar juntos e partilhar visões”, aprendendo uns com os outros.

“O Cristianismo vive-se em conjunto, não individualmente”, referiu à Agência ECCLESIA.

Questionado sobre o diálogo ecuménico no país, a responsável indicou que, “a nível de cúpulas tem sido mais difícil, mas o importante é que as pessoas se possam conhecer, possam estar umas com as outras e apagar preconceitos”.

Foto: Agência ECCLESIA/CB

Já Sifredo Teixeira, bispo da Igreja Metodista, fala da semana de oração pela unidade dos cristãos como um “tempo de testemunho”, partilhando experiências e “fazendo caminho juntos”.

O responsável também sublinhou a necessidade de ir além deste tradicional oitavário, promovendo novos projetos e momentos de partilha ao longo do ano.

“A nossa esperança é que, passada a pandemia, as coisas voltem a ter o ritmo que já tiveram, porque estavam num caminho muito interessante”, disse.

Na celebração na Igreja do Mirante, D. Manuel Linda, bispo do Porto, convidou todos a “situar a justiça no coração”, informa o jornal diocesano ‘Voz Portucalense’.

O encontro contou com a presença, entre outros, de Jorge Pina Cabral, da Igreja Lusitana (Comunhão Anglicana), o padre Ivan Buhakov, da Igreja Ortodoxa Ucraniana e o padre Alexander Piscounov da Igreja Ortodoxa Russa.

Em representação da Comissão Ecuménica do Porto, o reverendo Sérgio Alves, da Igreja Lusitana, apresentou o Roteiro Ecuménico para o ano 2023.

CB/OC

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