Francisco sublinha meta de «plena unidade» entre várias confissões e tradições

Foto: Lusa/EPA

Cidade do Vaticano, 16 jan 2022 (Ecclesia) – O Papa convidou hoje à celebração da Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos, que se assinala de 18 a 25 de janeiro, apontando à meta da “plena unidade”.

“Este ano, é-nos proposto refletir na experiência dos Magos, que vieram do Oriente a Belém para honrar o Rei Messias”, referiu Francisco, desde a janela do apartamento pontifício, no Vaticano, após a recitação da oração do ângelus.

“Também nós, cristãos, na diversidade das nossas confissões e tradições, somos peregrinos em caminho, rumo à plena unidade. Aproximamo-nos mais da meta quanto mais fixo tivermos o nosso olhar em Jesus, nosso único Senhor”, acrescentou.

Francisco convidou os católicos a oferecer “cansaços e sofrimentos” pela causa da unidade dos cristãos.

O Papa vai encerrar a semana de oração, como é tradição, com a celebração das Vésperas na Basílica de São Paulo Fora dos Muros, em Roma, com a presença de representantes de várias Igrejas e comunidades cristãs.

O Departamento das Celebrações Litúrgicas do Vaticano anunciou que a celebração está marcada para as 17h30 (menos uma em Lisboa) de 25 de janeiro, solenidade da conversão do apostolo São Paulo.

O tema proposto para 2022 é ‘Vimos a sua estrela no Oriente e viemos prestar-lhe homenagem’, uma proposta Conselho das Igrejas do Médio Oriente, sediado em Beirute, no Líbano.

A semana de oração envolve as Igrejas e denominações cristãs de todo o mundo.

“A pandemia global da Covid-19, a permanente crise económica e o fracasso das estruturas políticas, económicas e sociais na proteção aos mais fracos e vulneráveis destacaram a necessidade global de uma luz que brilhe na escuridão”, refere a proposta de reflexão, publicada online pela Santa Sé.

“Mais do que nunca, nestes tempos difíceis, precisamos de uma luz que brilhe na escuridão e essa luz, proclamam os cristãos, foi manifestada em Jesus Cristo”, assinala o Conselho das Igrejas do Médio Oriente, lembrando que nesta região do mundo os direitos humanos são habitualmente pisados por “injustos interesses políticos e económicos”, para além de enfrentarem a crise de saúde internacional e ainda viverem as “consequências humanas e materiais” da explosão no Porto de Beirute, a 4 de agosto de 2020.

“Os cristãos são chamados a ser para o mundo um sinal de Deus, trazendo essa unidade que Ele deseja. Vindo de diferentes culturas, raças e línguas, os cristãos partilham em comum a busca por Cristo e o desejo de adorá-lo”, desenvolvem os autores da proposta de reflexão para 2022.

O ‘oitavário pela unidade da Igreja’, hoje com outra denominação, começou a ser celebrado em 1908, por iniciativa do norte-americano Paul Wattson, presbítero anglicano que mais tarde se converteu ao catolicismo.

O ecumenismo é o conjunto de iniciativas e atividades tendentes a favorecer o regresso à unidade dos cristãos, quebrada no passado por cismas e ruturas.

As principais divisões entre as Igrejas cristãs ocorreram no século V, depois dos Concílios de Éfeso e de Calcedónia (Igreja copta, do Egito, entre outras); no século XI com a cisão entre o Ocidente e o Oriente (Igrejas Ortodoxas); no século XVI, com a Reforma Protestante e, posteriormente, a separação da Igreja de Inglaterra (Anglicana

LS/CB/OC

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