Francisco assume disponibilidade para dialogar com Cirilo e todos os que procurem a aproximação entre comunidades cristãs

Cidade do Vaticano, 06 dez 2021 (Ecclesia) – O Papa disse hoje que espera encontrar-se brevemente com o patriarca Cirilo de Moscovo, líder da Igreja Ortodoxa da Rússia, com quem já se reuniu em fevereiro de 2016.

“Eu estou sempre disponível para ir a Moscovo, dialogar com um irmão. Para dialogar com um irmão não há protocolos”, referiu aos jornalistas que o acompanharam na viagem entre Atenas e Roma, no final de uma viagem internacional de cinco dias que passou pelo Chipre e a Grécia.

Francisco e Cirilo encontraram-se pela primeira vez a 12 de fevereiro de 2016, em Havana, onde assinaram uma declaração conjunta.

Depois de ter visitado dois países de maioria ortodoxa, o Papa foi hoje questionado sobre a possibilidade de um novo encontro com o líder russo.

“Um encontro com o patriarca Cirilo está num horizonte não longínquo, penso que na próxima semana vou receber Hilário [secretário-geral do Departamento para as Relações Externas da Igreja Ortodoxa russa] para acordarmos um possível encontro”, adiantou Francisco.

O Papa apontou como hipótese um encontro na próxima vista de Cirilo à Finlândia.

“Um irmão ortodoxo – chame-se ele Cirilo, Crisóstomo, Jerónimo – é um irmão, dizemos as coisas na cara, mas como irmãos”, acrescentou.

Francisco agradeceu a todos os patriarcas que manifestam vontade de “caminhar juntos”, trabalhando para a unidade entre os cristãos.

Recordando que pediu “perdão” pelas divisões que foram “provocadas pelos católicos”, na Grécia, o Papa considerou que a falta de unidade entre as várias Igrejas é “um escândalo”.

Ortodoxos e católicos encontram-se divididos desde o Cisma do Oriente, em 1054, data em que trocaram excomunhões o Papa Leão IX e o patriarca de Constantinopla Miguel Cerulário; as excomunhões foram levantadas em 1965, mas as Igrejas não recuperaram ainda a unidade plena.

As Igrejas ortodoxas desenvolveram um modelo de autoridade próprio, de cariz nacional, pelo que os vários patriarcados são autónomos; o patriarca ecuménico de Constantinopla (atual Turquia) tem um primado de honra, como ‘primus inter pares’, mas não de jurisdição.

OC

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