Encontro convocado pelo Papa decorre até sábado, apontando a «pacto» global

Assis, Itália, 22 set 2022 (Ecclesia) – Jovens economistas, empresários, gestores, profissionais e estudantes de todo o mundo, incluindo Portugal, estão reunidos entre hoje e sábado para o encontro presencial da ‘Economia de Francisco’, em Assis, Itália, que vai ser encerrado pelo Papa.

Rita Sacramento Monteiro integra a delegação portuguesa, com cerca de duas dezenas de pessoas, após uma preparação de três anos, após a publicação da carta-convocatória de Francisco, a 1 de maio de 2019, e refere à Agência ECCLESIA que o percurso foi “muito desafiador”.

“A Economia de Francisco não vem propor uma receita ou um modelo económico, uma solução mágica. Vem questionar os modelos económicos vigentes e se reflita sobre a forma como hoje nos organizamos, em sociedade”, precisa.

“O Papa quer pôr-nos a caminho, em diálogo, iniciar processos por uma Economia diferente”, acrescenta.

O percurso levou à criação de um movimento, com “hubs” nacionais, como a ‘Economia de Francisco Portugal’, que promoveu formações, lançou um podcast e uma equipa específica para os temas do combate à pobreza.

“Tem desafiado cada um, onde trabalha, a pensar de forma diferente, a ensaiar novos critérios para esta Economia. Assis é a celebração deste caminho e, para todos os grupos, um reforçar de ânimo, uma inspiração para os próximos desafios”, indica Rita Sacramento Monteiro, em entrevista emitida esta quinta-feira no Programa ECCLESIA (RTP 2).

O vaticanista Octávio Carmo, da Agência ECCLESIA, sublinhou, por sua vez, que os adiamentos provocados pela pandemia levaram a aprofundar novos temas, sobre a necessidade de mudança de paradigmas económicos e sociais.

“A reflexão sobre a globalização, o sistema financeiro, as alternativas económicas, não é algo periférico no pensamento do Papa”, indicou.

O jornalista sublinha a inspiração de São Francisco de Assis para propostas que visam uma maior “sobriedade” e, “em última instância, a necessidade de despojamento”.

“É preciso tirar da vida comunitária e individual aquilo que é um excesso, de consumo ou de produção, para que todos se possam recentrar no que é verdadeiramente importante”, acrescenta.

Rita Sacramento Monteiro sublinha que o apelo lançado se refere a mais do que “a pobreza material, em exclusivo”.

“Somos chamados a um exercício de despojamento, interior e exterior. O mundo não comporta este ritmo de produção nem de consumo”, observa, convidando a olhar para o que se produz, em sociedade, como “bens comuns”.

O programa do encontro de Assis, que conta com o apoio do Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral (Santa Sé), prevê a assinatura de um pacto, entre os cerca de mil jovens de mais de 120 países e o Papa, para a promoção de novos modelos económicos e de desenvolvimento.

“A comunidade, que nestes três anos não deixou de conhecer e trabalhar online, também é composto por cerca de 20 jovens adolescentes de diferentes países, onde se inclui Ralyn Satidtanasarn, uma jovem ativista da ecologia integral da Tailândia que luta contra o uso de plástico há vários anos”, refere um comunicado enviado à Agência ECCLESIA pela organização.

A agenda prevê várias sessões, debates e mesas-redondas para apresentar ideias e projetos, sobre questões económicas e desafios contemporâneos.

O grupo português tem recorrido às redes sociais para dar conta da sua participação.

Após a edição online que decorreu em 2020, unindo mais de 2 mil participantes de 120 países, incluindo Portugal, Francisco vai ser recebido em setembro pelos participantes, que propõem de um “Pacto” no final dos três dias de trabalho.

Há dois anos, o encontro digital apresentou uma carta-compromisso pelo direito ao trabalho digno, respeito pelos pobres, investimento na educação, apoio à sustentabilidade, igualdade de oportunidades e o fim de paraísos fiscais.

O Papa vai ouvir, este sábado, o testemunho de oito jovens, representantes de cinco continentes, entre eles um recluso e uma refugiada afegã.

CB/HM/OC

Economia de Francisco: Encontro de Assis é «celebração» do caminho percorrido pelo grupo de Portugal

 

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