Lisboa, 18 mar 2020 (Ecclesia) – Pedro Mendonça, professor na Nova School of Business and Economics (Nova SBE), afirma que o Papa quer que se pense com “dinamismo, esperança” num paradigma diferente com o encontro ‘Economia de Francisco’, por “está a pedir aos jovens”:

“A ideia é com dinamismo, com esperança, com ativismo, que os jovens possam pensar para além dos limites daquilo que é a teoria económica, como pode a economia estar mais perto das pessoas, é também um desafio para os jovens”, disse o professor assistente, sobre o que considera ser “possível e exequível”.

O Papa Francisco convocou “jovens economistas, empresários e empresárias de todo o mundo” para o refletirem sobre uma economia que “faz viver e não mata, inclui e não exclui, humaniza e não desumaniza, cuida a criação e não a despreza”, na cidade italiana de Assis.

Para Pedro Mendonça “é preciso renovar as gerações” para as empresas poderem “olhar mais para as pessoas”, como o Papa pede, mas “também se pode trabalhar com as administrações mais seniores”.

A mudança, segundo o entrevistado, também começa naquilo que cada pessoa pode fazer “de forma pequena enquanto consumidores”, e destaca que o Papa também alerta para o consumismo que “é uma doença grave”.

“Temos de procurar consumir de forma responsável, é precisamente um objetivo para o desenvolvimento sustentável (número 12) – produção e consumo responsável. Temos a tentação de culpar e responsabilizar as empresas pela produção desenfreada mas começa muito pelos consumidores, pelos hábitos de consumo”, desenvolveu.

O professor assistente na Nova SBE trabalha no centro de conhecimento ‘Leadership for impact’, que pretende conciliar a performance organizacional, tudo o que é o produto, atividade económica com o progresso social, e destaca que as empresas “estão atentas e estão preocupadas” em fazer negócios que “sejam sustentáveis, que sejam éticos”.

“Há lugar cada vez maior e um lugar para ficar na ética, nos negócios e nas empresas, basta olhar no supermercado quantos produtos que já têm selos de comércio justo ou agricultura sustentável e isto significa que é importante para as empresas como é importante para os consumidores”, exemplificou.

Segundo Pedro Mendonça, o papel das empresas muito mais do que gerar lucro “tem de ser também criar valor, para todas as partes envolvidas”.

O docente questionou como é que se pode “medir a felicidade”, observando que “também é necessário a revisão dos indicadores” por que “não é só o lucro que indica a felicidade”.

O encontro ‘Economia de Francisco’ estava previsto para o final deste mês março (de 26 a 28), mas a organização adiou a iniciativa papal para 21 de novembro, devido ao impacto da epidemia do coronavírus Covid-19, que tornou impossível a reunião de mais de dois mil jovens com menos de 35 anos, provenientes de 115 países, incluindo Portugal.

HM/CB

 

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