«Também somos Terra»é o mote para iniciativa que valoriza «pequenos gestos»

Lisboa, 19 set 2019 (Ecclesia) – A rede ‘Cuidar da Casa Comum’ vai promover este sábado um encontro para partilha e promoção de “atitudes” de “cuidado da casa comum”, entre as 11h00 e as 18h30, na Casa das Irmãs Doroteias, no Linhó.

Em declarações à Agência ECCLESIA, o professor universitário Juan Ambrósio disse que o encontro ‘Também somos Terra’ é “dedicado a refletir, a pensar, a rezar a criação” da rede ‘Casa Comum’ que junta à opção ambiental a identidade crente que “é uma nota muito importante, fundamental”.

“Estávamos habituados a ver a perspetiva e a identidade crente muito ligadas a questões mais do âmbito do estritamente moral, ou seja, a condutas morais comportamentais que deixavam um bocadinho de lado a questão ecológica, o cuidado da casa comum. Entretanto, foi ganhando peso, cada vez mais, e era preciso ter alguma atenção a questões do ambiente”, explicou.

Neste contexto, alerta que se está a “esgotar completamente o tempo de mudança de atitudes” e destacou a “chamada de atenção” do Papa Francisco na encíclica ‘Laudato Si’ para a ecologia integral.

“O problema é que o não cuidar da casa comum vai afetar em primeira mão os mais desfavorecidos, os mais frágeis, os mais pobres; cuidar da ecologia, cuidar do ambiente, cuidar desta casa é cuidar de todos os que fazem parte desta rede viva”, acrescenta Juan Ambrósio.

O professor da Universidade Católica Portuguesa realça que “os pequenos gestos fazem toda a diferença” na mudança, primeiro porque “se todos os fizerem as coisas mudam radicalmente” e a segunda ordem de motivo, “porventura até mais importante”, é que não se mudam “mentalidades se não começar a mudá-las por pequenos gestos”.

O encontro ‘Também somos Terra’ começa às 11h00 com a apresentação do tema ‘Porque as coisas podem mudar! Caminhos para a ecologia integral’; pelas 12h30, no almoço partilhado, os promotores vão incentivar a “boas práticas de cuidadores”.

A rede ‘Cuidar da Casa Comum’, acrescenta o entrevistado, pede aos participantes que levem “utensílios para o almoço que não sejam de deitar fora, que possam ser reutilizados – cada um leve o seu copo, o seu prato, os seus talheres” – e “uns a mais para partilhar”.

“Este ano iniciamos uma outra proposta: o lixo que produzirmos, o que sobrar não fica lá. O objetivo é deixar tudo como encontramos, pelo menos como encontramos”, acrescentou.

Juan Ambrósio destaca que a conversão “é a grande riqueza da proposta na Laudato Si”, que a “preocupação” com o cuidado da casa comum seja “nota distintiva do que é a identidade cristã”.

O programa do segundo encontro ‘Também somos Terra’ vai continuar com um painel de testemunhos (14h30), com partilha de experiências, “sucessos e agruras, expectativas e planos”, depois os compromissos ‘Somos rede!’ (16h30) e termina com uma celebração ecuménica, que começa às 17h00.

A rede ‘Cuidar da Casa Comum’ é constituída por instituições, organizações, obras, movimentos da Igreja Católica e de outras igrejas cristãs, pessoas a título individual, e propõe-se aprofundar e difundir a encíclica ‘Laudato si’.

O mês de setembro começou com o Dia Mundial de Oração pela Criação, a 1 de setembro, um período que termina a 4 de outubro, memória de São Francisco de Assis” e o Papa publicou uma mensagem onde insistiu na necessidade de novos estilos de vida, “mais simples e respeitadores”, e destacou também a próxima Cimeira das Nações Unidas para a Ação Climática.

HM/CB/OC

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