Presidente da Associação ZERO destaca contributo do Papa Francisco

Lisboa, 07 set 2020 (Ecclesia) – O presidente da Associação ambientalista ZERO afirmou hoje que “a questão ambiental diz respeito a cada um”, às diferentes comunidades religiosas, aos políticos, aos autarcas, exigindo uma “ação tão rápida quanto possível”.

“O Papa, sem dúvida, contribuiu e penso que a resposta das várias comunidades tem de ser maior, não é apenas reconhecer a ‘Laudato Si’ como relevante. Precisamos de passar à prática, precisamos de mobilizar mais, precisamos de cuidar desta casa de forma mais ativa e consequente porque estamos longe daquilo que o planeta nos exige”, disse Francisco Ferreira à Agência ECCLESIA.

O presidente da ZERO – Associação Sistema Terrestre Sustentável – destacou que o Papa Francisco tem tido um “conjunto de conversas, de trocas de mensagens no espírito ainda mais aberto e ecuménico” e é “fundamental toda a sociedade perceber” que esta ameaça de saúde pública da Covid-19 “interfere muito nas vidas, no dia-a-dia”, mas é uma emergência que “vai certamente alterar o curso da vida, ao longo de dois, três anos”, até se ultrapassar a presença do novo coronavírus, mas a crise climática é mais profunda.

“A crise dos recursos e a crise da biodiversidade são muito mais profundas e não há um remédio, não há uma vacina, não há realmente uma forma de ultrapassarmos estas emergências facilmente. O clima demora 20 anos até retomar. Se parássemos agora as emissões de gazes demoraríamos 20 anos até ele nos dar as respostas desejável”, desenvolveu.

Francisco Ferreira realça que o atual ‘Tempo da Criação’, iniciativa ecuménica que une 2,2 mil milhões de cristãos no mundo, entre os dias 1 de setembro e 4 de outubro, ajuda a entender que as pessoas têm de “garantir” a “qualidade de vida e a igualdade em termos de acessos aos recursos”.

No programa ECCLESIA, transmitido hoje na RTP2, o presidente da Associação ambientalista ZERO  lembrou que em tempos de pandemia se conseguiu praticamente “cumprir o acordo de Paris” e “reduzir as emissões na ordem dos 7% à escala mundial” mas, mesmo assim, existiu um aumento da “concentração de dióxido de carbono, um aumento da temperatura”, e tudo indica que este ano “vai ser novamente um ano recorde, nomeadamente em Portugal”.

O entrevistado sublinhou que “houve, sem dúvida, uma aprendizagem”, mas alerta que, “infelizmente”, a sociedade está “muito a querer regressar ao normal” e não está “a colher e a beneficiar dos pontos positivos” de uma pandemia que “foi um grande ponto negativo”.

“Há uma oportunidade que não podemos perder. Temos de ter a consciência que entre países em desenvolvimento e países desenvolvidos há uma grande diferença, falamos da nossa qualidade de vida mas devemos ter a noção de que a riqueza, os recursos, estão muito mal distribuídos entre os vários países e dentro de cada país temos também faixas grandes de pobreza e depois os muito ricos”, acrescentou o professor na área de ambiente na Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa (FCT-UNL).

Neste contexto, Francisco Ferreira destaca que o Papa Francisco na sua encíclica ecológica e social ‘Laudato Si’, e em vários documentos, “não questiona apenas os problemas ambientais”, realçando que para os resolver é preciso “mudar de paradigma, há questões sociais e económicas que têm de ser resolvidas”.

A Igreja Católica começou no dia 24 de maio a viver um ano especial pelos cinco anos da publicação da ‘Laudato Si’ e o Vaticano lançou a 18 de junho um “manual” de aplicação da encíclica ecológica e social com mais de 200 recomendações em defesa do ambiente, que para o entrevistado “é uma reedição mas muito mais direcionada, pratica, do documento para cada um dos setores – “universidade, escolas, empresas, negócios, políticos – sobre aquilo que é realmente fundamental para cuidar da criação”.

HM/CB/OC

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