António Ramalho Eanes

Foto Agência Ecclesia

Saúdo e felicito a Cáritas pelo muito apreço que, nacional e internacionalmente, tem conquistado, e a que, legitimamente, tem jus pela sua inspiração genética, pelo seu propósito norteador. Inspirada nos grandes ideais e propósitos do Humanismo Cristão, a Cáritas procura estender operativamente a todos a defesa da dignidade do ser humano.

É responsabilidade social de todos os cidadãos contribuir para preservar e desenvolver a sociedade que, por herança ou opção, compartilham. Responsabilidade social, essa, que se realiza e expressa de múltiplas maneiras. Entre elas se conta, obviamente, a cívica, com reconhecida interacção com todas as outras, sejam elas a familiar, a profissional ou a política. É ela – a cívica – que permite que a sociedade civil se organize – se dote de organizações intermédias – e se constitua, assim, não só como prestadora activa e competente de serviços graciosos, mas, também, como interlocutor válido e distintivo do próprio Estado.

Como diz Manfred Spieker, de uma sociedade civil se espera que seja “uma sociedade de cidadãos conscientes e activos, que se auto-organizam, em relação ao Estado, numa esfera relativamente livre, na economia, na política, na cultura e na solidariedade; de cidadãos que se articulam em associações, partidos e meios de comunicação livres, que participam na formação da vontade política e não só toleram o Estado subsidiário, como o apreciam e com ele colaboram, como condição do bem comum”.

É a Cáritas, pela sua acção empenhada, sistemática e intransigentemente persistente, um exemplo do que podem ser as organizações da sociedade civil e do papel que podem ter a nível nacional e mundial na defesa dos direitos do Homem – de todos os seus direitos, nomeadamente os individuais, sociais, económicos e culturais.

Felicito o Prof. Eugénio da Fonseca, Presidente da Cáritas Portuguesa, pelo trabalho de excelência que a Cáritas tem desenvolvido. Perante novos e maiores desafios tem sempre a Cáritas sabido estar à altura da sua missão, reforçando a sua posição junto da população portuguesa.

Dizia o saudoso D. Manuel Martins que sempre apoiou a Cáritas por ser “uma Obra (…) que nasce do coração da Igreja para lançar na sociedade sementes de solidariedade que acabem por dar frutos de vida”.

Nesta época em que se assinala a Semana Nacional Cáritas, importa que recordemos que se respondermos com real responsabilidade social ao futuro colectivo – de desenvolvimento, justiça, paz, liberdade e solidariedade –, negado não nos será o futuro que desejamos.

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