80 mil crianças congolesas foram forçadas a regressar ao seu país de origem

Foto: Unicef-Angola

Luanda, 20 nov 2018 (Ecclesia) – O diretor do Serviço Jesuíta aos Refugiados em Angola disse à Agência ECCLESIA que a exploração ilegal de diamantes o Norte do país está a ser feita por crianças com 12 anos e algumas “ainda menos”, vítimas de “tráfico de seres humanos”.

“São crianças dos 12, algumas ainda mais pequenos, e até aos 17 anos”, a maioria da Republica Democrática do Congo, adiantou o padre Celestino Malange, que tem acompanhado a “Operação Transparência” na região, que já levou ao repatriamento de mais de 500 mil congoleses, dos quais 80 mil são crianças.

O Governo de Angola colocou em marcha a “Operação Transparência” no dia 25 de setembro, com o objetivo de pôr fim à extração e comércio ilegais de diamantes e outros produtos naturais nas províncias de Malanje, Lundas Norte e Sul, Cuanza-Sul, Cuando Cubango, Bié, Moxico, Zaire e Uíge.

De acordo com o diretor do JRS-Angola, as crianças estavam a ser usadas como “mão de obra barata”, a maioria são “desacompanhadas”, afirmando a suspeição de “tráfico de crianças” com o objetivo de explorarem as minas de diamantes, por serem mais ágeis.

Foto: ACNUR

“Os patrões, como são chamados, apostam nas crianças, porque são mais ágeis, não exigiriam muito, porque pagam-lhes migalhas, não têm acesso à educação, vêm para cá e pensam que é uma oportunidade para trabalhar para os pais”, sustentou.

“Ninguém está interessado em levantar este problema: há uma grande exploração e violação dos direitos da criança”, afirmou o padre Francisco Malange.

O Serviço Jesuíta aos Refugiados e a Cáritas em Angola estão a acompanhar o processo de repatriamento dos trabalhadores imigrantes nas explorações ilegais de diamantes, assim como os refugiados acolhidos no assentamento de Lóvua e outros cidadãos que se fixam nas comunidades à espera da “assistência necessária”.

A Agência ECCLESIA está a acompanhar uma delegação da Cáritas Portuguesa e da Cáritas Angola em Luanda, Dundo e Saurimo, no âmbito da concretização do projeto “Cáritas Lusófonas em Rede – Inovar para o Impacto”.

PR

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