Igrejas sofreram sete roubos e actos de vandalismo em 2005 O Departamento do Património Histórico e Artístico da Diocese de Beja lamentou ontem a «apatia» das autoridades policiais perante os roubos de arte sacra em igrejas do distrito, que aumentaram em 2005. No ano passado, a Diocese registou, entre roubos e actos de vandalismo, sete ocorrências, mais três do que em 2004, tendo sido roubadas ou destruídas cerca de meia centena de peças, essencialmente de arte sacra. Em declarações à Agência Lusa, José António Falcão, responsável pelo departamento diocesano, lamentou ontem «uma certa apatia e benevolência das autoridades policiais perante os roubos nas igrejas». «Para as autoridades policiais, este tipo de criminalidade não é uma prioridade, pelo contrário, é encarada como um mal inevitável», argumentou. Por outro lado, segundo José António Falcão, «existe uma falta de especialização das autoridades para lidar com a rápida sucessão deste tipo de roubos, que é cada vez mais especializado ». Uma situação que, na opinião do responsável, é «agravada pela falta de recursos humanos, especial- mente na GNR, que luta com sérias dificuldades para montar esquemas de vigilância nas zonas rurais». Entre as ocorrências registadas em 2005, o responsável mostrou-se preocupado com a prevalência de roubos nas igrejas das zonas rurais e de actos de vandalismo nas zonas urbanas. De acordo com José António Falcão, a «desertificação das zonas rurais favorece mais os roubos», enquanto nas cidades prevalecem os actos de vandalismo. «Trata-se, sobretudo, de actos relacionados com a destruição propositada do património e com rituais satânicos, que ocorrem sobretudo no Litoral Alentejano », explicou. Imagens mutiladas, altares queimados, recintos conspurcados com dejectos ou sangue de animais e cruzes invertidas são sinais que levam o departamento da Diocese de Beja a concluir que muitos dos casos estão ligados a práticas satânicas. Perante este cenário, a Diocese mantém fora de muitos dos templos os objectos de arte sacra mais valiosos do ponto de vista histórico e artístico. «É a única opção», defendeu José António Falcão, acrescentando que «se a Diocese não tivesse retirado grande parte do seu património mais valioso de algumas igrejas, teria de lamentar um número de furtos e destruições muito mais significativo». No entanto, frisou, «esta situação não pode manter-se por muito tempo e cabe à Igreja assumir a vanguarda da acção conjunta de protecção e defesa do seu património». Depois de já ter alertado o Governo Civil bejense e as autoridades policiais para a necessidade de criar planos regionais de vigilância, com reforços das medidas de segurança junto de igrejas, a Diocese está a apostar cada vez mais numa «segurança passiva». «Apostamos na implementação de meios electrónicos, como alarmes, nas principais igrejas e na sensibilização das populações », explicou. Em última análise, terá de ser a população a proteger as igrejas destes actos, estando «atenta a aproximações suspeitas e denunciando- as às autoridades: o que já aconteceu», disse.
