Dicastério lembra «muitos desafios» da humanidade especialmente com « guerras, conflitos e uso da religião para fins políticos»
Cidade do Vaticano, 30 out 2026 (Ecclesia) – O Dicastério para o Diálogo Inter-religioso da Santa Sé enviou uma mensagem à comunidade hindu pela festa de ‘Deepavali’, uma das maiores festividades, e convidou-os a construir «juntos os caminhos da paz no ‘espírito de Assis’» com os cristãos.
“Que possamos assimilar cada vez mais o espírito de Assis nas nossas próprias vidas, rezando pela paz, vivendo o espírito de fraternidade no nosso quotidiano e, ao envolvermo-nos ativamente no diálogo inter-religioso, unindo forças com pessoas de outras religiões e com todas as pessoas de boa vontade na luta pela paz no nosso mundo”, escrevem os responsáveis do organismo da Santa, na mensagem publicada na Sala de Imprensa do Vaticano.
O Dicastério para o Diálogo Inter-religioso, através do seu prefeito, o cardeal George Jacob Koovakad, e o secretário, o monsenhor Indunil Kodithuwakku Janakaratne Kankanamalage, endereça os seus “mais calorosos votos de oração e de festa” pela celebração do Deepavali, e desejam que Deus, “fonte de tudo o que é bom”, os abençoe, às suas famílias e entes queridos, e “às comunidades com abundante alegria, paz e prosperidade”.
‘Hindus e cristãos: trilhemos juntos os caminhos da paz no ‘espírito de Assis’’, é o tema da mensagem do Dicastério para o Diálogo Inter-religioso para a comunidade hindu que vai celebrar a festa do Deepavali , ou Diwali, conhecido como ‘Festival das Luzes’, este ano no dia 12 de novembro.
“Perante os muitos desafios que a humanidade enfrenta hoje, especialmente os que decorrem das guerras, dos conflitos e do uso da religião para fins políticos, a comemoração do encontro de Assis de 1986 oferece-nos a oportunidade de refletir convosco sobre como os hindus e os cristãos podem trilhar juntos caminhos de paz, inspirando-se no espírito de Assis”, explica.
Segundo o Dicastério para o Diálogo Inter-religioso da Santa Sé, um dos caminhos é hindus e cristãos reunirem-se em oração, “com um compromisso espiritual comum pela paz”, cada um segundo a sua própria tradição religiosa, “respeitando a do outro”, e outro caminho é “cultivar o espírito de fraternidade universal” exemplificado por São Francisco, que tratava todos por “irmãos”, e citam as mensagens do Dia Mundial da Paz de 2026 e de 2024, respetivamente, a 59.ª e a 47.ª edição, dos Papas Leão XIV e Francisco.
A mensagem à comunidade hindu, pela celebração do Deepavali, assinala que, acima de tudo, o diálogo inter-religioso está “no cerne do espírito de Assis”, devido ao seu profundo potencial para promover a causa da paz mundial, e recorda que este encontro, na cidade italiana berço de São Francisco, há 40 anos, “uniu pessoas de diversas tradições religiosas”, mostrou ao mundo que as “promovem a paz e rejeitam todas as formas de violência”.
Esta terça-feira, dia 27 de outubro, celebrou-se o 40.º aniversário da primeira jornada mundial de oração pela paz de Assis, que reuniu representantes das grandes religiões mundiais, a convite do Papa São João Paulo II, na cidade italiana, em 1986.
O Papa Leão XIV condenou o uso do nome de Deus para justificar conflitos armados, a corrida ao armamento, e afirmou que “não existe nenhuma guerra santa: só a paz é santa”, numa mensagem em vídeo enviada a responsáveis religiosos de mais de 50 países, reunidos no encontro internacional ‘Paz desarmada e desarmante’, em Assis.
‘Deepavali’ é uma das maiores festividades hindus, significa literalmente “fileira de lâmpadas de óleo”, e recorda, segundo a tradição, a vitória da luz sobre as trevas, da verdade sobre a mentira, da vida sobre a morte e do bem sobre o mal, é também celebrada por siques, budistas e jainistas.
CB
