Padre Agostinho Jardim Moreira incentiva pessoas e instituições para «auxílio de proximidade»

Porto, 13 nov 2020 (Ecclesia) – O presidente da Rede Europeia Anti-Pobreza em Portugal disse à Agência ECCLESIA que há uma aumento global de situações ligadas a necessidades básicas, ao nível da “sobrevivência de muita gente”, numa entrevista a respeito do Dia Mundial dos Pobres, que a Igreja celebra este domingo.

“A nível global não há grande alteração para as respostas dos mais pobres, os pobres tradicionais, aqueles dois milhões de portugueses que vinham de trás. Os que nasceram agora da pandemia são geralmente os desempregados que perderam o emprego”, alertou o padre Agostinho Jardim Moreira.

O presidente da EAPN Portugal sublinha a importância de uma ajuda de subsistência, de modo a que “as pessoas sobrevivam e não se entrem em degradação pessoal e da saúde”, deixando para mais tarde a luta “nas causas que geram a pobreza”.

“É o recurso, é o pedir, o despertar as pessoas para o auxílio de proximidade, porque as causas neste momento são globais e são marco, quer na economia, quer na vida pública ,e é muito difícil alterar estas respostas”, acrescentou o sacerdote da Diocese do Porto.

O Governo português anunciou a criação da comissão de coordenação para a elaboração da Estratégia Nacional de Combate à Pobreza e a EAPN Portugal é uma das organizações que vão ser ouvidas neste processo.

O padre Agostinho Jardim Moreira adianta que os responsáveis da instituição estão “muito esperançados neste trabalho”, é “uma luta” que travam “há anos no país, juntos de toda as instâncias” e a “resposta tem de ser a médio e longo prazo porque é estrutural” e com a participação das “pessoas em situações de pobreza”.

No final de março, a EAPN Portugal alertou que “não há economia sem pessoas” e era “necessário fazer mais pela proteção dos grupos de maior risco nesta crise”, mas, segundo o padre Jardim Moreira, “não houve grandes alterações às políticas, que se mantiveram na mesma”.

“Aqueles que tinham empregos precários – e ficaram sem os empregos -, ficaram sem qualquer proteção. Não tiveram nada, ficaram entregues a si. Os pobres tradicionais já viviam mal, muitos perderam pequenos biscates, muita gente ficou sem esse dinheiro que ajudava a sustentar a casa e os filhos. Essa gente entrou também num certo de regime de austeridade e dificuldade séria porque não tem outros recursos”, explicou, alertando que existe “uma contenção para que as despesas não aumentem” e as pessoas possam “manter a casa e o mínimo de alimentação”.

A Igreja Católica assinala este domingo o IV Dia Mundial dos Pobres, uma iniciativa instituída pelo Papa Francisco, e o padre Agostinho Jardim Moreira observa que o combate à pobreza, “durante muito tempo, foi bastante marginal” na Igreja, um trabalho “pouco assumido pelas estruturas eclesiais e eclesiásticas”.

“É essencial a prática da caridade; Até agora eram mais instituições laicais ou civis que estavam a pegar na pobreza como expressão da injustiça social e da injustiça criada pelos governos e pela organização social, mas é tarefa de todos os cristãos empenharem-se para as políticas sociais sejam uma realidade a que o Papa chama a ‘caridade social’”, acrescentou.

‘Estende a tua mão ao pobre’ é o tema da mensagem de Francisco para o Dia Mundial do Pobres 2020.

O presidente da EAPN Portugal assinala que o distanciamento imposto pela pandemia “é sanitário, não é distanciamento afetivo” e o Papa pede para “saber estar atento às carência e às dificuldades das pessoas”.

“Mais do que muitas vezes as carências materiais o que muitas vezes falta é a carência da atenção, do respeito. Ainda há bocadinho estava com uns meninos da rua e uma menina pediu um abraço, ela nunca faz isso comigo, a relação não era muito próxima”, exemplificou, frisando que as pessoas “têm necessidade de se sentiram próximas, de se sentirem queridas, acarinhadas”.

“Dar a mão é pobre é reconhece-lo como pessoa e apoiá-lo no que for possível ou pelo menos encaminhar as situação para solução”, concluiu o padre Agostinho Jardim Moreira.

CB/OC

“Neste momento era importante que os mais jovens pudessem aparecer como voluntários, a querer colaborar com as instituições, mesmo com a rede, e as pessoas reformadas, que têm muita experiência, conhecimento e reflexão, podiam colaborar para dar um impulso a todo este problema nacional. A sociedade civil não pode esquecer a responsabilidade que também tem na construção de uma outra ordem social mais justa e mais digna do se humano”, apela o padre Agostinho Jardim Moreira, presidente da EAPN Portugal.
Partilhar:
Share