Capelão da Universidade Católica Portuguesa assinala que o livro tem um «poder de eternidade que vale a pena contar com ele»

Lisboa, 23 abr 2021 (Ecclesia) – O padre Miguel Vasconcelos, capelão da Universidade Católica Portuguesa (UCP) disse à Agência ECCLESIA que o livro é um dos melhores companheiros, em tempos de confinamento e de crise, ajudando as pessoas a projetar um novo futuro.

“A literatura desconfina-nos, faz que o nosso mundo – por muito fechado que seja – tenha janela para uma transcendência do que já somos e ainda do que vamos querer ser”, referiu o sacerdote, a respeito do Dia Mundial do Livro, que se assinala hoje.

O capelão da UCP assinalou que, “em chave cristã”, as imagens que a literatura traz e os livros dão e oferecem tocam o ser humano, “tocam a sua relação com Deus, a sua relação com o mundo e com os outros”.

“Nesse aspeto, em tempos de crise como são os desta pandemia, e de qualquer uma das pandemias, termos a segurança que nos dão os livros é alguma coisa que temos que considerar precioso”, acrescentou.

O entrevistado recordou que o cardeal D. José Tolentino Mendonça disse que Camões desconfinou Portugal, no seu discurso no Dia de Portugal em 2020, e alargou essa frase à literatura.

“[O livro] ajuda-nos a interpretar a encontrar um sentido para o que é viver em qualquer circunstância, as muito dramáticas e muito difíceis como as que ao longo da história existiram e as que existem agora nas vidas de muitos”, realçou, em entrevista ao programa ECCLESIA que é emitida esta sexta-feira, na RTP2 (15h00).

Num tempo de cultura digital, o padre Miguel Vasconcelos considera que a literatura não tem de ficar “especialmente presa ao formato do livro” mas salienta que este tem um “carácter quase eterno”, por maior que seja o avanço tecnológico.

“Os livros fazem companhia, têm uma proximidade própria e, acima de tudo, o livro, em certo sentido, é uma espécie de um palco onde tudo pode acontecer. A experiência de ler, de folhear, envolve todos os sentidos, envolve o cheiro, envolve as memórias, esse suporte que é o livro tem um poder de eternidade que vale a pena contar com ele”, desenvolveu.

A Bíblia católica tem 73 livros e o capelão da UCP aconselha a leitura de cada um, considerando que se está diante da “biblioteca da experiência humana” que se abre a Deus, na tradição judaica e depois na tradição cristã, “de uma acumulação de sabedoria”.

“Essa sabedoria que se acumula é posta por escrito naquilo que consideramos a inspiração, por isso, fica também como repositório de modelos de relação com Deus, modelos de interpretação da própria pessoa à luz de Deus, do próprio povo à luz de Deus, e hoje podemos dizer, de interpretação da família humana diante de Deus”, acrescentou.

D. José Tolentino Mendonça, bibliotecário e arquivista da Santa Sé, diz que uma biblioteca é uma projeção para o futuro mais do que um repositório do passado e o padre Miguel Vasconcelos acrescenta que as bibliotecas são “esse repositório que alimenta, mas que não deixa reféns”.

“Estamos reféns do passado, da maneira como os livros foram lidos, das leituras que já foram feitas, de determinados textos, e, nesse sentido, é um alimento para nos transpor, para nos translocar para o futuro”, acrescentou o capelão da UCP.

PR/CB/OC

 

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