Reportagem na Semana de Oração pelas Vocações Consagradas

Monte Real, 12 mai 2019 (Ecclesia) – O Mosteiro das Irmãs Clarissas de Monte Real acolhe as três primeiras religiosas clarissas timorenses para, após um tempo de formação, regressarem a Timor-Leste para integrar a comunidade do mosteiro de vida contemplativa do país, inaugurado em 2016.

O Mosteiro de Santa Clara de Timor-Leste foi fundado pelo Mosteiro das Clarissas de Monte Real, que enviou as primeiras religiosas para o país em 2013, a 17 de agosto de 2014 foi benzida a primeira pedra novo mosteiro e, dois anos depois, inaugurado a 21 de novembro.

As irmãs Bernardete, Ibrânia e Antonieta são timorenses e estão em Monte Real no tempo de noviciado, que termina com a promessa de cada uma das religiosas viverem de acordo com o carisma das seguidoras de Santa Clara de Assis, num mosteiro de clausura, de vida contemplativa.

Para a irmã Ibrânia, o facto de serem as primeiras timorenses clarissas em Timor-Leste é uma “responsabilidade” e um motivo de contentamento.

“Não só nos sentimos contentes por ter uma comunidade de vida contemplativa no nosso país… Sinto que os cristãos timorenses também se sentem contentes pelas presença das irmãs Clarissas de Portugal em Timor”, afirmou em declarações à Agência ECCLESIA.

A irmã Antonieta lembra as dificuldades em vir para um país que “não conhecia”, no “outro lado do mundo”.

“Vim para cá não para viajar ou para conhecer Portugal. Vim para cá para corresponder à minha vocação”, afirmou, lembrando que sair do país “foi muito doloroso” para os pais.

As dificuldades em ter a aceitação da família para sair de Timor-Leste e optar pela Vida Consagrada foi uma realidade que a irmã Bernardete também teve de enfrentar, lembrando que os familiares “aceitaram este caminho, não taparam”.

As três religiosas timorenses estão a viver o tempo de noviciado com a irmã Cristina, natural de Mafra, que considera “fantástico” o “intercâmbio e a ajuda mútua” entre Portugal e Timor-Leste.

“Este mosteiro contribui muito para aquele mosteiro e fazemos muita força para que dê fruto e cresça. É como se fosse uma só comunidade”, afirmou a religiosa portuguesa.

A Irmã Cristina começou por “passar uns dias” no mosteiro de Monte Real e o contacto com a comunidade, com a “alegria de vida”, transformou o seu percurso pessoal”.

“Estar diante do Santíssimo, na adoração, foi uma experiência que me tocou e daí o convite à mudança: e porque não a vida de clausura, a vida religiosa. E daí esta experiência maravilhosa”, afirmou.

“A nossa vocação faz cada vez mais sentido”, considera a irmã Cristina.

Para a irmã Bernardete, o caminho da vida contemplativa é “muito feliz” e, apesar das dificuldades da língua portuguesa, afirma “coragem” para ir para a frente.

A irmã Ibrânia referiu que se sente “muito contente” por estar a viver “uma vocação única”, que ajuda a “humanidade inteira” pel aoração.

Para a irmã Antonieta, a vida no Mosteiro das Irmãs Clarissas “é extraordinária”.

“Não fugimos do mundo. Estamos sempre presentes no mundo e as coisas da humanidade estão sempre presentes na nossa oração”, sublinhou.

As três religiosas timorenses iniciaram o Noviciado no Mosteiro das Irmãs Clarissas, em Monte Real, com Tomada do Hábito Religioso na Ordem de Santa Clara, no final de março, após um ano de formação em Portugal, que iniciou dois anos antes, em Timor-Leste.

“Estas Irmãs Noviças regressarão ao seu país, quando parecer oportuno, para integrarem a Comunidade de Tunubibi aonde ingressaram”, refere o comunicado do Mosteiro de Monte Real.

A reportagem da Agência ECCLESIA no Mosteiro das Irmãs Clarissas de Monte Real realizou-se no contexto da Semana de Oração pelas Vocações Consagradas, que termina este domingo, Dia Mundial de Oração pelas Vocações, onde estão 20 irmãs e quatro noviças, três delas de Timor-Leste; da comunidade fazem parte também seis religiosas que estão no Mosteiro timorense.

PR

Partilhar:
Share