Dia Mundial das Missões: Portugal e a Europa são territórios missionários da Igreja

Fundação Fé e Cooperação faz «match entre o voluntário e as organizações» para que seja «uma experiência de missão fecunda»

Lisboa, 19 out 2026 (Ecclesia) – Catarina António, da Fundação Fé e Cooperação (FEC), e o padre Hugo Ventura, missionário Espiritano, explicaram hoje a importância de dimensão missionária da Igreja Católica, da formação, e de Portugal e da Europa como território de missão.

“A formação é essencial porque o choque cultural principalmente quando falamos de voluntários que vão da Europa para o continente africano é muito grande; agora, também começamos a preparar voluntários europeus para fazer missão na Europa, que é um desafio grande porque, apesar de acharmos que é tudo igual, as realidades são muito diferentes”, disse a coordenadora da Rede de Voluntariado Missionário da FEC, esta segunda-feira, 19 de outubro, à Agência ECCLESIA.

Catarina António, da Organização Não-Governamental para o Desenvolvimento (ONGD) da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP), destaca dois exemplos missionários em Portugal, os Leigos para o Desenvolvimento, ongd ligada aos Jesuítas, “fazem missão de longa duração”, e a Congregação dos Combonianos “também já têm leigos a fazer missão”.

“A nossa realidade está a mudar. Portugal neste momento tem esta riqueza, a meu ver é uma riqueza, da multiculturalidade, mas traz muitos desafios. O contexto que o país enfrenta, a chegada de muitas pessoas sem o país estar devidamente preparado, também trouxe muitas situações em que é preciso a presença dos missionários. E, às vezes, não é de dar logo soluções, é caminhar em conjunto, ajudar estas pessoas a integrar-se, nessa cultura e partilhar a sua”, desenvolveu a entrevistada.

A Igreja Católica celebrou o Dia Mundial das Missões 2026 este domingo (18 outubro), a centésima edição, com o tema ‘Um em Cristo, unidos na missão’, escolhido pelo Papa Leão XIV para a sua mensagem.

Para o padre Hugo Ventura, superior provincial da Congregação do Espírito Santo em Portugal, esta data é a ocasião ideal para refletir sobre a vocação”, e ocasião para as pessoas inscreverem-se e “para poder participar em projetos de curta duração”, e observa que muitos “partiram em missão de curta duração, e, depois, pensaram ‘acho que Deus nos chama para algo diferente e especial’”.

“Esta deve ser uma responsabilidade de todos: Padres, irmãos, irmãs, bispos, leigos, mais jovens e mais velhos, de todos os batizados. Então é importante que todos estejamos nessa dinâmica, que todos sejamos preparados, que todos tenhamos consciência, que todos temos valores, e que isso também se aprenda”, acrescentou o missionário Espiritano, congregação que integrar os leigos na sua missão, porque “esse é o ADN” e acreditam que “é o ADN da Igreja”.

Segundo a Catarina António, os missionários “têm um papel preponderante” em Portugal, que “é também já um território de missão”, e fazem “um bocadinho” aquilo que vão fazer quando partem para outros continentes, que “é tentar melhorar a vida, nem que seja só de uma pessoa”.

“E a Europa, neste momento em que nós também enfrentamos este crescimento grande de discursos de ódio, de pobreza, é cada vez mais um território de missão”, acrescentou a entrevistada que lembrou que “todo cristão é missionário”, esta dimensão “não são uns extras da Igreja”.

Foto: Espiritanos

O padre Hugo Ventura, que fez estágio missionário no Tefé – Amazónia, para onde regressou após a ordenação sacerdotal, em 2002, salientou que Portugal tem sido, como tantos outros países da Europa, “um alfobre de muitos missionários e missionárias que foram por esse mundo”, destaca que a realidade da missão “está a mudar, assim como o mundo está a mudar”, e há menos missionários do hemisfério norte para os tradicionais territórios de missão.

“A Igreja muda e isso é visível. É importante compreendermos que, se calhar, 100 anos depois deste Dia Mundial das Missões, o desafio continua sempre pertinente, pôr as comunidades, a Igreja toda, a refletir sobre a necessidade, a importância das missões, o despertar das vocações, e, aí, sim, se calhar na nossa Europa, um bocadinho mais distante de Deus, ou mais cansada; A Igreja ou é missionária, ou não é a igreja de Jesus Cristo, e ela continua, também aqui na nossa Europa, com um rosto diferente, se calhar um rosto cada vez mais laical”, acrescentou o sacerdote espiritano.

A Fundação Fé e Cooperação coordena uma rede de voluntariado missionário, desde 2002, que congrega 60 organizações, “ligados a universidades, a congregações religiosas, de paróquias”, que enviam voluntários em missão, de curta ou longa duração; a formação anual realiza-se entre janeiro e maio.

Catarina António assinala que a “ninguém fica sem resposta” na FEC, na página principal (homepage) do seu sítio na internet, tentam “sempre fazer aqui o match” entre voluntário e instituição promotora.

“Nós temos tantas aplicações hoje em dia para fazer match com isto ou com aquilo, fazemos este match entre o voluntário e as organizações para que seja uma experiência de missão fecunda”, salientou a coordenadora da Rede de Voluntariado Missionário da ONGD da Conferência Episcopal Portugal, no Programa ECCLESIA, desta segunda-feira, na RTP2.

O Dia Mundial das Missões é assinalado anualmente no penúltimo domingo de outubro, em 2026 comemora o seu centenário, foi instituído pelo Papa Pio XI, em 1926.

HM/CB/OC

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